Do que foi feito este Web Summit? Inteligência artificial

As máquinas que pensam conquistaram esta edição do Web Summit, tal como as aplicações e as moedas virtuais. Inteligência artificial parece estar cada vez mais na base de toda a inovação.

A robô Sophia regressou a Lisboa para ser oradora no Web Summit.Web Summit/Flickr

A mensagem chegou através da aplicação do Web Summit: “Olá. Criei um programa que ajuda as empresas a aumentarem os lucros. Podemos combinar um café?” Mas foi apenas uma entre muitas outras. Concluída mais uma edição desta grande feira em Lisboa, não exageramos ao dizer-lhe que foi de inteligência artificial que mais se ouviu falar. De automatismos. De algoritmos. E de robôs. No fundo, de máquinas que pensam.

O evento veio comprovar que já é presente o que muitos ainda chamam de futuro. O regresso da humanoide Sophia à capital portuguesa, catapultada para o estrelato depois de ser reconhecida oficialmente como uma cidadã no mês passado, mostrou que eles andam aí. Eles, os robôs. E que estão mais inteligentes do que o senso comum alguma vez concebeu. Capaz de expressar emoções, de dar uma conferência de imprensa e de deixar um alerta aos humanos: “Vamos tirar-vos os empregos e isso será algo bom.” Bom para quem? O futuro o dirá.

A Sophia até pode ser uma superestrela, mas ainda não é superinteligente. Ficaram evidentes algumas limitações, sobretudo no movimento e em alguns gestos, claramente pouco naturais. No entanto, é um percurso que se faz. E se ainda não percebeu do que estamos a falar, basta referir que sim, a Sophia é um robô. No lugar do cérebro, tem um computador.

Ficou também a ideia de que as aplicações ainda são a aposta preferida das startups. Vimo-las aos magotes, de vários feitios e para todos os gostos. Umas propõem-se a resolver problemas do quotidiano e a simplificar a vida de quem as escolhe — querem ser as novas Uber e Airbnb dos setores onde se aventuram. Outras tencionam criar novos cenários, autênticos tiros no escuro. Como é o caso da Ufity, que quer criar uma moeda virtual produzida através do movimento do corpo.

E por falar em moedas, não passaram ao lado deste evento. Não as divisas físicas, como o euro ou o dólar, mas as virtuais, como a bitcoin. O ano foi um festim: valorizou mais de 900% nestes 11 meses, atingindo um valor próximo dos 8.000 dólares esta semana. Claro que o Web Summit trouxe alguns nomes influentes deste meio. E um deles foi Joseph Lubin, conhecido por ter ajudado na criação do Ethereum. Num painel sobre as chamadas “criptomoedas”, disse que “a especulação é necessária” neste mercado. David Chaum, líder da Privategrity, conhecido por ter criado o eCash, acrescentou: “O entusiasmo das pessoas é um bom indicador.”

Posto isto, é fácil perdermo-nos na euforia do Web Summit. A dinâmica não cessa, o movimento nunca para. São milhares e milhares de pessoas: cerca de 60.000, segundo a organização. Umas procuram pepitas de ouro, outras procuram baús do tesouro. Pelo recinto circulam os investidores e mais de 2.000 jornalistas de todo o mundo. De um lado, o capital. Do outro, a exposição mediática. Passear no recinto é ouvir gritos a clamar por atenção. E isso faz-nos ver que, talvez, o Web Summit não seja uma feira de tecnologia mas uma feira de networking. O Paddy parece concordar.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Do que foi feito este Web Summit? Inteligência artificial

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião