Crescimento da zona euro dá margem ao BCE para subir juros

Ardo Hansson, membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu, defende que "existe alguma margem para uma recalibração óbvia, mas prudente, das políticas" do BCE.

As perspetivas mais positivas para a economia da zona euro justificam uma mudança na política do Banco Central Europeu, defende Ardo Hansson, um dos membros do conselho de governadores do banco central.

Ardo Hansson, governador do banco central da Estónia, defende que é tempo de repensar a política de estímulos do BCE. Peti Kollanyi/Bloomberg

“Com um aumento da confiança relativamente às perspetivas da economia real existe alguma margem para uma recalibração óbvia, mas prudente, das políticas”, disse o responsável estónia numa conferência que se realiza esta quarta-feira em Londres e citado pela Reuters.

Com um aumento da confiança relativamente às perspetivas da economia real existe alguma margem para uma recalibração óbvia, mas prudente, das políticas.

Ardo Hansson

membro do conselho de governadores do BCE

Hansson, tido como um dos membros mais conservadores do banco central, acrescentou “Para nós, o mundo parece melhor”, sublinhando que a economia da zona euro está a desfrutar de um “forte” crescimento e que a inflação está a acelerar de forma modesta.

De acordo com os dados do Eurostat divulgados ontem, comparando com o trimestre anterior, tanto a União Europeia como a zona euro cresceram 0,6%, desacelerando ligeiramente face aos 0,7% que tinham sido registados no período de abril a junho. Como o número corresponde apenas a uma primeira estimativa rápida, o gabinete de estatística não revela os contributos para o crescimento.

No início do mês do BCE revelou que tencionava reduzir o seu plano de estímulos no início do próximo ano para 30 mil milhões de euros por mês, contra os atuais 60 mil milhões. Sendo que o programa de compras foi estendido até setembro de 2018.

No caso português, o BCE já detém mais de 30 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro portuguesas, cerca de 12% do total da dívida pública portuguesa, isto depois de o banco central liderado por Mario Draghi ter adquirido em outubro mais 489 milhões de euros em títulos nacionais.

A redução da política de estímulos está longe de gerar consenso no seio do conselho de governadores. No início do mês, Ewald Nowotny, outro membro do conselho, dizia em entrevista à Bloomberg, que, “eventualmente, haverá uma redução e uma determinada data para o fim [dos programas de estímulos], mas ainda é muito cedo para termos esta discussão”.

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