Praças, bibliotecas e hospitais vão ter wi-fi gratuito

Programa WiFi4EU foi aprovado pelo Parlamento Europeu e promoverá a instalação de pontos de acesso gratuito a wi-fi, em todos os Estados-membros. Candidaturas dos municípios começam no início de 2018.

Consegue imaginar um mundo onde bibliotecas, hospitais, praças e jardins têm disponível wi-fi 100% gratuito e com uma velocidade de 100 Mbps? O Parlamento Europeu aprovou, em setembro, o programa WiFi4EU que fará dessa visão uma realidade e as candidaturas para os municípios arrancam já nos primeiros meses do próximo ano.

O WiFi4EU quer levar a internet sem fios a todos os recantos da União Europeia, mesmo as zonas rurais.Pixabay

“Em janeiro, há uma primeira fase de candidaturas só para municípios (que gerem entidades como bibliotecas e praças)”, explicou, esta sexta-feira, o eurodeputado Carlos Zorrinho, num pequeno-almoço de trabalho com jornalistas. Nesta primeira etapa, serão distribuídos 20 dos 120 milhões previstos para este projeto. Depois, seguir-se-ão organizações como hospitais e os restantes fundos serão, progressivamente, escoados.

De acordo com o eurodeputado, a candidatura é simples e decorre de acordo com o critério “first come, first served” (os primeiros a realizarem as candidaturas serão aqueles que receberão os apoios). Embora seja desejado um equilíbrio geográfico na distribuição dos pontos de acesso gratuito à Internet sem fios, não estão previstas quotas por países.

O meu sonho é que esta rede sirva de referência a outras plataformas que queiram operar no espaço europeu, seguindo os nossos valores de privacidade e serviço público.

Carlos Zorrinho

Europutado

Da candidatura à finalização, quantos passos? Poucos

Carlos Zorrinho explica que o processo de implementação do WiFi4EU não se afogará em burocracias, isto é, será rápido e simples. Até 2020, estima-se que mais de seis mil locais públicos beneficiem desta iniciativa. “Na melhor das hipóteses, 500 desses pontos ficarão em Portugal“, confessa o eurodeputado.

Depois de verem aprovadas as suas candidaturas (num portal que a Comissão Europeia vai desenvolver nos próximos meses), as entidades recebem um voucher de 20 mil euros, que devem usar como meio de pagamento. As empresas que o recebem enviam-no, consequentemente, ao organismo europeu que lhe transfere, por fim, o montante em causa. Os 20 mil euros atribuídos a cada ponto de acesso deverão cobrir, assim, a instalação e manutenção durante, pelo menos, os próximos três anos.

Desengane-se quem acha que este projeto europeu não conta com o apoio das operadoras de telecomunicações. Segundo Zorrino, as áreas onde a oferta privada apresenta boas condições não receberão esta oferta pública (na candidatura, cada município terá de esclarecer a sua situação atual). Mais, nos locais que receberão esta iniciativa espera-se que os cidadãos fiquem motivados a abraçar estes recursos tecnológicos. Portanto, embora relutantes ao início, as multinacionais “em concorrência” defendem agora o programa, certas de que a médio prazo fará aumentar a procura de serviços domésticos de wi-fi.

Neutralidade tecnológica, geográfica e económica. É isso que o programa garante.Sebastiaan ter Burg

Desconfia da gratuitidade? Zorrinho desmistifica

“Temos de explicar esta gratuitidade. Significa que o utilizador não paga a utilização, que não recebe publicidade — a não ser que seja institucional — e que os seus dados não são usados para fins comerciais“, assinala o eurodeputado.

O sistema barrará o consumo abusivo e fará uma gestão do tráfego nos períodos com maior utilização. O utilizador terá, assim, acesso a uma rede de autenticação única, que lhe dará acesso, logo num primeiro momento, a uma plataforma com conteúdos gerados pela própria Comissão, seguindo os valores basilares subjacentes à identidade europeia.

É uma semente.

Carlos Zorrinho

Europutado

O meu sonho é que esta rede sirva de referência a outras plataformas que queiram operar no espaço europeu, seguindo os nossos valores de privacidade e serviço público“, realça Carlos Zorrinho.

O eurodeputado deixa ainda a nota de que o objetivo é garantir neutralidade tecnológica, económica e geográfica, no espaço europeu. Zorrinho prevê que o acesso gratuito ao wi-fi promoverá a criação de mais programas de qualificação para o uso destes recursos tecnológicos. “É uma semente”, refere. E qual a mensagem política? “Isto é para todos”, termina.

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