Economistas da Fitch: Metas do Governo para a dívida pública são “demasiado ambiciosas”

Unidade de research da Fitch aumentou a pontuação da estabilidade política em Portugal com a aprovação do OE. Para a dívida pública, a perspetiva é pior: deverá diminuir, mas menos do que o previsto.

A BMI Research prevê que, se o Orçamento do Estado para 2018 for aprovado esta segunda-feira, a solução governativa vai ganhar estabilidade, uma vez que este é o “único grande risco de um voto de ‘não confiança’ no Governo”. A unidade de análise económica da agência de rating Fitch assinala a votação do Partido Socialista nas eleições autárquicas e a sobrevivência do Executivo às tragédias ocorridas em julho e outubro. A nota de análise divulgada esta segunda-feira considera que o PS mantém “o momentum político”, um motivo para a BMI Research aumentar a pontuação da estabilidade política em Portugal. No entanto, a dívida pública deverá diminuir menos do que o previsto.

O índice de risco político de Portugal calculado pela BMI Research.

“O Orçamento do Estado português para 2018 sugere que o país vai manter-se numa trajetória orçamental saudável nos próximos dois anos, pelo menos”, escrevem os analistas, referindo que existem “sinais crescentes” de que a atual solução governativa vai manter-se no poder, apesar de o partido do Governo não ter maioria. O índice de risco político para Portugal, calculado pela unidade de research da Fitch, aumentou de 74,4 para 75,6, refletindo uma maior estabilidade (0 é o maior risco, 100 é o menor risco).

Na análise que faz à proposta do Governo para os OE2018, a BMI Research considera que a estratégia do ministro das Finanças é “tomar partido” do crescimento económico para “aliviar levemente” a austeridade e manter o défice abaixo das metas da Comissão Europeia. Os economistas da Fitch preveem que as melhorias no mercado de trabalho e o crescimento económico sejam suficientes para aumentar as receitas do Estado e compensar as medidas que somam à despesa.

O Orçamento do Estado português para 2018 sugere que o país vai manter-se numa trajetória orçamental saudável nos próximos dois anos, pelo menos.

BMI Research

Unidade de research da Fitch

A unidade de research considera que o Governo tem mais “espaço para respirar” uma vez que a S&P melhorou o rating da República. Contudo, a BMI Research alerta que as metas relativas à diminuição da dívida pública são “demasiado ambiciosas”. As estimativas da BMI Research divergem com as do Governo em mais 0,5 pontos percentuais em 2018 e mais 2,4 pontos percentuais em 2019. O Executivo prevê que a dívida pública se fixe nos 123,5% em 2018 (segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2018) e nos 120% em 2019 (segundo o Programa de Estabilidade 2017-2021).

A nota de análise prevê dois riscos: o deslizamento nos gastos do Estado e um crescimento económico mais fraco do que aquele que o Governo prevê — os economistas da Fitch apontam para uma subida do PIB de 1,9% em 2018, abaixo dos 2,2% estimados pelo Executivo.

O mercado de trabalho tem sido o motor do crescimento económico, escreve a BMI Research.

Numa outra nota de análise, a BMI Research argumenta que os problemas estruturais da economia portuguesa mantêm-se. Em reação à estimativa rápida para o terceiro trimestre de subida do PIB de 2,5%, os economistas da Fitch apontam para uma continuação do crescimento “robusto” da economia, pelo menos tendo em conta o historial da economia portuguesa. A produtividade “anémica”, os “limitados ganhos” com o aumento do emprego e a “fraqueza estrutural” da economia são os pontos negativos. Já o contexto externo, dificilmente ficará melhor, estimam.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Economistas da Fitch: Metas do Governo para a dívida pública são “demasiado ambiciosas”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião