Fintech? “Grau de preparação da banca é manifestamente insuficiente”

  • Rita Atalaia
  • 29 Novembro 2017

A vice-governadora do Banco de Portugal, Elisa Ferreira, considera que os bancos têm de se adaptar à nova realidade das fintech através de um ajustamento do modelo de negócio.

Elisa Ferreira considera que os bancos têm de se preparar para uma nova realidade: a concorrência das fintech. Isto deve passar pelo ajustamento dos modelos de negócio das instituições financeiras, que devem estar “no centro da inovação tecnológica”, afirma a responsável no Fórum Banca, promovido pelo Jornal Económico e PwC. Para a vice-governadora do Banco de Portugal, o grau de preparação do sistema financeiro ainda é insuficiente.

“É premente que o sistema bancário em Portugal ajuste os seus modelos de negócio de modo a integrar e reverter em seu benefício a inovação tecnológica em curso, com especial destaque para as fintech”, nota Elisa Ferreira, referindo-se ao aumento da concorrência com a presença cada vez mais forte das fintech no mercado. “Apesar de as fintech serem uma das principais fontes de disrupção para as instituições financeiras instaladas, o grau de preparação do setor é ainda manifestamente insuficiente”, salienta.

É premente que o sistema bancário em Portugal ajuste os seus modelos de negócio de modo a integrar e reverter em seu benefício a inovação tecnológica em curso, com especial destaque para as fintech.

Elisa Ferreira

Vice-governadora do Banco de Portugal

Elisa Ferreira considera que a melhor forma de os bancos anteciparem os desafios é colocarem-se no centro da inovação tecnológica, ajustando os modelos de negócio a esta nova realidade. “É importante que a banca integre a revolução tecnológica”, salienta, dizendo ainda que este tema já está a ser estudado, não só pela EBA e pelo Mecanismo Único de Supervisão, mas também pelo banco central liderado por Carlos Costa.

“Do lado do Banco de Portugal, foi criado um grupo de reflexão multidisciplinar, com o objetivo de estudar a evolução da banca digital e das fintech e de perspetivar, no horizonte 2020, os desafios que se colocam no contexto alargado da sua missão e no quadro específico das suas responsabilidades de regulação e supervisão”, diz a vice-governadora.

Para Fernando Faria de Oliveira é importante que bancos e fintech façam parcerias, uma vez que a “cooperação traz grandes vantagens a ambas as partes”. No entanto, “há que salvaguardar que as mesmas regras se aplicam a todos”, afirma o presidente da Associação Portuguesa de Bancos no mesmo evento.

Malparado? Esforços são para continuar

A vice-governadora do Banco de Portugal não deixa também de reconhecer os progressos feitos a nível da redução do crédito malparado. “Apesar de os ativos não produtivos permanecerem em níveis acima da média europeia, importa, também aqui, reconhecer o progresso alcançado desde o valor máximo observado em junho de 2016”, salienta.

Mas é preciso fazer mais. “Não obstante esta evolução positiva, o esforço ainda necessário para reduzir os ativos não produtivos para níveis mais sustentáveis é considerável”, afirma Elisa Ferreira no Fórum Banca.

(Notícia atualizada às 10h24 com declarações do presidente da APB)

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