Há excedente comercial, mas encolheu quase mil milhões

As importações de bens estão a acelerar de tal forma que o boom do turismo não chega para compensar.

Dez meses depois, a balança de bens e serviços continua a degradar-se. O excedente comercial que Portugal conquistou nos últimos anos contraiu 967 milhões de euros nos primeiros três trimestres de 2017. As exportações de bens e serviços crescem a dois dígitos, mas o peso das importações de bens — cuja base tem um volume superior — está a prejudicar a balança comercial.

Fonte: Banco de Portugal

“Até outubro de 2017, a balança de bens e serviços registou um excedente de 3.310 milhões de euros, menos 967 milhões de euros do que no período homólogo”, indica o Banco de Portugal. As importações de bens e de serviços aumentaram 14% enquanto as exportações cresceram 11,5%. Consequentemente, a balança comercial sofreu uma queda de quase mil milhões de euros.

Porquê? “O aumento do excedente da balança de serviços, em 1.662 milhões de euros, foi insuficiente para compensar o incremento do défice da balança de bens de 2.629 milhões de euros“, sintetiza o Banco de Portugal. Em Portugal, o turismo continua a puxar pela economia, um setor cujas exportações cresceram 19,4% até outubro (13.127 milhões de euros). O excedente comercial do item “viagens e turismo” aumentou 1.742 milhões de euros.

Contudo, o contributo negativo do aumento das importações de bens em 7.137 milhões de euros ditou a deterioração do excedente comercial. Este crescimento superou bastante a subida das exportações de bens em 4.474 milhões de euros.

Entre as importações estão bens de consumo, bens intermédios, bens de equipamento, mas também combustíveis — o barril do petróleo valorizou consideravelmente em 2017, depois de ter desvalorizado em 2016 — cujo preço de importação aumentou, o que prejudica a balança.

Balança financeira melhora à boleia dos pagamentos ao FMI

O Banco de Portugal divulgou também que o saldo da balança financeira deu um salto até outubro. “Nos primeiros dez meses de 2017, o saldo da balança financeira registou um acréscimo dos ativos líquidos de Portugal sobre o exterior no valor de 2.990 milhões de euros“, indica o Banco de Portugal.

Existem duas razões para esse aumento: investimento em títulos de dívida por parte do setor financeiro e na redução do passivo das administrações públicas — ou seja, da dívida pública.

“Destaca-se, em outubro, a amortização de títulos de dívida pública e o reembolso antecipado de 1001 milhões de euros ao FMI, relativo ao empréstimo no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira”, assinalou ainda o Banco de Portugal.

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