Obrigações portuguesas na China só no próximo ano

Governo continua a trabalhar na primeira emissão de dívida em moeda chinesa, mas prazos vão derrapar. A primeira emissão de panda bonds de um país da Zona Euro só acontecerá no próximo ano.

A primeira emissão de dívida em moeda chinesa de um país da Zona Euro vai ficar adiada para 2018, com o Governo português a manter a operação de financiamento em renmimbis de cerca de 380 milhões de euros mas só no próximo ano, apurou o ECO junto de fonte oficial do Ministério as Finanças.

A emissão de títulos de dívida denominada em yuans continua em cima da mesa e as autoridades portuguesas continuam a trabalhar nas chamadas panda bonds, o nome que se dão às obrigações emitidas na moeda chinesa. Só que já não será este ano, como estava previsto. Fonte do Governo adiantou que não foi estabelecida uma data precisa para iniciar esta emissão. “Dependerá das condições do mercado”, disse a mesma fonte.

Desde maio que o Governo tem estado em contacto com as autoridades chinesas no sentido de emitir dívida no mercado chinês que vale 9,5 biliões de dólares, estando em perspetiva a primeira operação de um soberano da Zona Euro naquele país. Já em setembro o banco central da China deu autorização a Portugal para avançar com a emissão de dívida que conta com o apoio de um sindicato de bancos formado pela Caixa Geral de Depósitos, o HSBC e o Bank of China.

"[Emissão de panda bonds] dependerá das condições do mercado.”

Fonte oficial do Ministério das Finanças

Como foi anunciado na altura, a operação será realizada através de uma oferta pública no mercado interbancário. As panda bonds portuguesas terão a maturidade de cinco anos.

No entanto, desde a luz verde dada por Pequim para realizar a operação, a agenda do Ministério das Finanças “complicou” o desenvolvimento deste dossiê. Setembro, outubro e novembro foram preenchidos por trabalhos relacionados com o Orçamento do Estado para 2018, matéria que absorveu tempo e disponibilidade dos responsáveis a cargo de Mário Centeno. Depois, já no início de dezembro, o ministro das Finanças (e o Governo) dedicou grande parte do tempo à candidatura vitoriosa na corrida pela presidência do Eurogrupo.

Seja como for, apesar do adiamento, a operação mantém-se e Portugal vai chega ao mercado de dívida chinesa em bom momento de forma. Os juros da dívida portuguesa em euros continuam a renovar mínimos em várias maturidades depois de a agência Fitch ter melhorado a notação da República em dois níveis. Foi a segunda entre as três principais agências mundiais a retirar Portugal da categoria “lixo”, o que torna a dívida portuguesa ainda mais apetitosa para os investidores que gostam de jogar pelo seguro.

A China surge como um destino de diversificação da base de investidores que financiam Portugal e foi nessa perspetiva que em maio Mário Centeno foi a Pequim tentar “vender” dívida portuguesa. Dias depois, em Doha, no Qatar, foi o primeiro-ministro, António Costa, quem sublinhou a intenção do país de alargar a origem geográfica dos credores nacionais, que são sobretudo europeus e americanos.

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