Fitch sobe rating em dois níveis. Tira Portugal de lixo

  • Tiago Varzim
  • 15 Dezembro 2017

A agência de notação financeira decidiu retirar a dívida pública portuguesa de lixo. A Fitch junta-se assim à Standard & Poor's e à DBRS a atribuírem um grau de investimento de qualidade.

Após a decisão de setembro da Standard & Poor’s, também a Fitch decidiu esta sexta-feira melhorar o rating da República portuguesa para o nível de investimento. A dívida pública portuguesa conta agora com a avaliação positiva de três agências de notação financeira: a DBRS, a S&P e a Fitch. O rating português deixa de ser considerado “lixo” (BB+) e passa a ter um grau de investimento de qualidade (BBB) — ou seja, Portugal subiu dois níveis na classificação da Fitch. O outlook é estável.

Esta decisão confirma as expectativas dos analistas consultados pelo ECO. Além disso, esta foi uma sexta-feira histórica para a dívida portuguesa: Portugal já é menos arriscado do que Itália para os investidores, algo que não acontecia desde o final de 2009. Também esta sexta-feira, o primeiro-ministro tinha dito que Portugal “tem de ter uma notação claramente distinta do de 2011”, argumentando que a situação económica financeira atual “não tem nada a ver” com a de há seis anos.

No relatório que acompanha a decisão, a Fitch espera que a dívida pública em Portugal desça três pontos percentuais este ano, ficando abaixo dos 127% do PIB — “a primeira descida do rácio da dívida desde a crises das dívidas soberanas”, nota a agência de notação financeira, assinalando que esta é uma tendência que continuará nos próximos anos. São três os fatores favoráveis para a redução da dívida: as medidas orçamentais “estruturais” efetuadas no passado, o recente ciclo de recuperação económica e uma “substancial” melhoria das condições de financiamento.

A Fitch aproveita para rever em alta as estimativas de crescimento económico para 2017 e 2018. Este ano a agência de rating espera uma variação do PIB de 2,6%, semelhante à previsão do Governo, mas no próximo ano espera uma desaceleração mais acentuada para os 1,9%. A Fitch destaca a redução do défice, o bom desempenho do mercado de trabalho e a queda significativa da taxa de desemprego. Contudo, o PIB potencial calculado pela agência continua a ser baixo (1,5%).

No setor bancário, a análise é positiva para as recapitalizações da CGD e BCP e para a venda do Novo Banco, mas negativa para o nível de malparado que continua a criar obstáculos à economia portuguesa. Ainda assim, a Fitch escreve que “a recuperação económica, sustentada num sentimento económico forte e no aumento do emprego, cria um ambiente favorável para que haja uma normalização do setor bancário“. A agência de notação financeira assinala ainda as condições de financiamento favoráveis que Portugal tem tido nos mercados nos últimos meses.

Ainda assim, a Fitch também identifica pontos potencialmente negativos, principalmente agora que Portugal está no nível BBB e compara com países com melhor desempenho financeiro e económico. A mediana da dívida dos países classificados de BBB pela Fitch é de 41% do PIB enquanto a dívida de Portugal continuará acima dos 100% nos próximos anos, mais do dobro. Além disso, a abertura ao comércio de Portugal é mais baixa do que a mediana dos países que estão no BBB.

Para o próximo ano, o rating da República já tem dois testes marcados: a S&P a 16 de março e a DBRS a 20 de abril. Apenas a Moody’s tem a dívida portuguesa no ‘lixo’.

O que poderá fazer a Fitch melhorar (novamente) o rating

  1. Uma mudança na estratégia de diminuição “substancial” do rácio da dívida pública;
  2. Evidência de que o crescimento potencial da economia portuguesa a médio prazo vai exceder os 2% sem pôr em causa o “necessário” ajustamento externo;
  3. Contínuo e forte crescimento das exportações portuguesas que permitam alargar o excedente comercial do país;

O que poderá fazer a Fitch piorar o rating

  1. Reversão da diminuição da divida pública em percentagem do PIB;
  2. Novas complicações no setor financeiro que levem o Governo a efetuar novas ajudas de Estado ou que afete a estabilidade financeira e que, em último caso, coloque em causa as projeções do crescimento económico do país;

(Atualizado às 21h37)

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