Pacto na Justiça com 80 propostas: das custas às penhoras
Mudanças nas cobranças de dívidas e custas judiciais vão ser apresentadas a Rebelo de Sousa no âmbito do Pacto da Justiça pedido pelo PR. Delação premiada acabou por não andar para a frente.
Alterações nos mecanismos de cobrança, penhoras e vendas e nos regimes de custas e criação de mecanismos de agilização da investigação e repressão dos crimes económico-financeiros são algumas das 80 medidas do Pacto de Justiça concluído esta sexta-feira, em Tróia. O ECO sabe que a delação premiada acabou por não constar do documento, já que não houve consenso nessa matéria.
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Em comunicado divulgado, após dois dias de reuniões entre juízes, magistrados do Ministério Público, advogados, solicitadores e funcionários judiciários, é referido que foi concluído um “acordo para melhoria do sistema de justiça”, que contém mais de oitenta propostas, “todas adotadas por unanimidade”, sobre temas como a organização judiciária, justiça económica, acesso ao direito e criminalidade económica-financeira.
“Propõe-se, designadamente, um alargamento muito amplo dos mecanismos de comunicação da justiça; alterações nos mecanismos de cobrança, penhoras e vendas; alterações nos regimes de custas e implementação de mecanismos de agilização da investigação e repressão criminal no crime económico-financeiro”, lê-se no comunicado.
“Fizemos o que o Presidente da República nos pediu. Aceitámos o seu repto. Não é por falta de entendimento entre as profissões do judiciário que o sistema não funciona”, sublinhou Manuela Paupério. “Não funciona porque não é tido como prioritário por parte do Governo e não é dotado dos meios capazes para o fazer funcionar”, disse a presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Manuela Paupério, concluindo que “estas propostas só terão utilidade se o poder executivo pegar nelas e legislar, fornecendo os meios necessários” à sua concretização.
A Associação Sindical dos Juízes, Ordem dos Advogados, Ordem dos Solicitadores, Sindicato dos Funcionários Judiciais e Sindicato dos Magistrados do Ministério Público decidiram também criar uma plataforma permanente de debate entre os agentes do judiciário, que reunirá periodicamente e apresentará de modo regular propostas de melhoria do sistema.
As conclusões foram entregues a uma equipa de redação, que nos próximos dias as encaminhará para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e para as entidades da justiça.
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