Portugal obtém 4.000 milhões em dívida a dez anos. Investidores queriam 17 mil milhões

O IGCP obteve 4.000 milhões com a emissão de dívida a dez anos apoiada por um sindicato bancário. Investidores queriam quatro vezes mais. Forte procura baixou taxa para 2%. Centeno elogiou operação.

Portugal conseguiu levantar 4.000 milhões de euros com a emissão de obrigações do Tesouro a dez anos que levou a cabo esta manhã com o apoio de um sindicato bancário. Os investidores queriam bastante mais: 17 mil milhões de euros, montante que serviria para cobrir as necessidades de financiamento da República em 2018, destacou o ministro das Finanças, Mário Centeno. A taxa final da operação ficou ligeiramente acima de 2%.

“Não acredito que tivéssemos chegado a este ponto se o governo não tivesse tido sucesso na venda do Novo Banco, ou sem a estabilização do sistema financeiro e a sua credibilização”, sublinhou Centeno no Parlamento, comentando os resultados da emissão sindicada.

“Tivemos hoje a conclusão de um sindicato de colocação de dívida a dez anos, com uma procura de 17 mil milhões de euros que serviria para garantir todo o financiamento da República em 2018. Com uma taxa de referência de 2,05%, a taxa mais baixa nestas aplicações nos últimos anos”, acrescentou ainda o responsável.

De acordo com os termos finais da operação, pelos 4.000 milhões de euros em obrigações a dez anos, o IGCP pagou uma taxa de juro de 2,05%, com os investidores a exigirem um prémio de 114 pontos base — ao qual foi acrescida uma taxa swap a dez anos de 0,92%. A procura atingiu os 17,1 mil milhões de euros, quatro vezes mais do que a Portugal queria.

Esta taxa de 2,05% compara positivamente com a de mais de 4% paga no ano passado, numa emissão idêntica. A 11 de janeiro de 2017, o Tesouro português levantou 3.000 milhões de euros em títulos com maturidade a dez anos e pelos quais pagou um juro de 4,227%. Desde então, os juros da dívida nacional têm afundado nos mercados internacionais fruto dos sinais positivos da economia e da revisão em alta do rating por parte da S&P e Fitch que tiraram o país de “lixo”.

“Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo. Há poucos anos Portugal só conseguia emitir com taxas nos 4% ou 5%. Atualmente, se olharmos para todas as últimas emissões já se veem muitas emissões com taxas abaixo dos 3% ou mesmo 2%”, frisou Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.

“Só assim conseguiremos tornar a nossa dívida sustentável. Mas tão positivo como a taxa foi a forte procura: Portugal é dos países com um risco não muito elevado que paga melhor a quem nos empresta dinheiro. Daí a procura ter sido muito superior à oferta”, disse ainda.

"Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo. Há poucos anos Portugal só conseguia emitir com taxas nos 4% ou 5%. Atualmente, se olharmos para todas as últimas emissões já se veem muitas emissões com taxas abaixo dos 3% ou mesmo 2%.”

Filipe Silva

Diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa

Portugal recorre, como é habitual, a um sindicato bancário para realizar a primeira operação de financiamento do ano, em que é aberta uma nova linha de obrigações que servirá de referência para o prazo a dez anos. Barclays, Citigroup, Crédit Agricole, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Novo Banco foram os bancos selecionados para colocar estes títulos que atingirão a maturidade em 17 de outubro de 2028 e chegarão ao mercado com um rating de Ba1/BBB-/BBB.

(Notícia atualizada às 13h34 com declarações de Mário Centeno)

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