Portugal arranca ano com juros mais negativos de sempre em leilão de dívida de curto prazo

No primeiro leilão de dívida do ano, Cristina Casalinho teve motivos para sorrir. IGCP levantou 1.750 milhões de euros em dívida de curto prazo com os juros mais negativos de sempre.

Ano novo, juros cada vez mais baixos. No primeiro leilão de dívida de curto prazo do ano, Portugal conseguiu arrancar as taxas mais negativas de sempre. Subiram à praça 1.750 milhões de euros através dois leilões de bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses com juros nos -0,425% e -0,398%, respetivamente.

O Governo continua a gozar de excelentes condições de financiamento do mercado, um cenário que resulta de um maior otimismo dos investidores em relação ao país e também da envolvente externa com o Banco Central Europeu (BCE) ainda em ação no mercado de dívida.

Neste cenário, depois da emissão positiva de 4.000 milhões de euros em obrigações a dez anos que contou com um sindicato bancário, o IGCP realizou esta quarta-feira o primeiro teste junto do mercado primário. E passou com distinção. Os dois leilões registaram taxas negativas recorde, ainda que a procura tenha sido menos robusta face à última operação comparável.

Com isto, a agência liderada por Cristina Casalinho arrecadou o montante máximo previsto: 1.750 milhões de euros. Na linha a seis meses, foram obtidos 500 milhões. Os restantes 1.250 milhões de euros foram levantados em bilhetes do Tesouro a 12 meses.

Leilão de curto prazo com taxas negativas recorde

Fonte: IGCP

“Nunca tínhamos conseguido emitir dívida de curto prazo com taxas tão negativas. É uma excelente notícia, porque isso significa redução dos custos de financiamento do país”, sublinha Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “Beneficiamos de toda a conjuntura favorável que temos tido nos últimos meses, desde a subida nos ratings até à aproximação das taxas portuguesas às dos outros países europeus, a chamada redução no spread“, explicou ainda.

Os leilões de dívida terão um contributo nulo para o financiamento líquido do Estado em 2018. Isto quer dizer que Portugal vai emitir títulos de curto prazo apenas para satisfazer os reembolsos de bilhetes ao longo do ano.

No ano passado, a nova dívida foi emitida a uma taxa de juro média de 2,6%, possibilitando uma redução do custo do total da dívida dos 3,2% para os 3%, o mais baixo da década.

"Nunca tínhamos conseguido emitir dívida de curto prazo com taxas tão negativas. É uma excelente notícia, porque isso significa redução dos custos de financiamento do país. Beneficiamos de toda a conjuntura favorável que temos tido nos últimos meses, desde a subida nos ratings até à aproximação das taxas portuguesas às dos outros países europeus, a chamada redução no spread.”

Filipe Silva

Diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa

(Notícia atualizada às 10h54)

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