Numa só emissão, Portugal garantiu mais de um quinto do financiamento para 2018

IGCP obteve 4.000 milhões de euros em Obrigações à taxa mais baixa desta década. Mário Centeno frisou que apetite dos investidores permitiria cobrir as necessidades do Governo para este ano.

De uma assentada, Portugal garantiu o dinheiro suficiente para cobrir um quinto das necessidades de financiamento da República para o ano de 2018. O IGCP colocou esta quarta-feira 4.000 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a dez anos com ajuda dos bancos. O apetite dos investidores por dívida portuguesa foi tão voraz que atirou o custo do financiamento para o valor mais baixo de sempre. Centeno sorri.

Não deixa de ser uma boa notícia para os cofres portugueses no arranque do ano. Foi para o mercado uma nova linha de referência de Obrigações a dez anos através da colocação de 4.000 milhões de euros. O montante corresponde a 21,6% do total que o IGCP espera vir a levantar ao longo do ano. Isto assumindo que o Governo vai cumprir a sua parte no que toca ao défice do Estado para este ano e que está estimado em 5,5 mil milhões.

Ao todo, a agência que faz a gestão da dívida pública espera obter 18,5 mil milhões do mercado em 2018. Uma boa parte desse percurso foi superado logo na primeira emissão do ano e a uma taxa de juro incomparável face ao histórico nacional, o que abrilhanta ainda mais o feito alcançado.

“Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo”, considerou Filipe Silva, especialista do Banco Carregosa. “São ótimas notícias para o país que consegue assim fazer o rollover da dívida, financiando-se a custos cada vez mais baixos. Só assim conseguiremos tornar a nossa dívida sustentável. Mas tão positivo como a taxa foi a forte procura: Portugal é dos países com um risco não muito elevado que paga melhor a quem nos empresta dinheiro”, explicou ainda o gestor de ativos do banco.

O custo deste endividamento ficou nos 2,137%, precisou o IGCP, no anúncio dos resultados da emissão em que destaca o contributo decisivo das melhorias dos ratings pela Standard & Poor’s e Fitch. Ainda há um ano, numa operação feita nos mesmos moldes, a taxa de juro cobrada pelos investidores foi superior a 4%, o dobro da registada hoje.

Taxas nas últimas emissões sindicadas de Obrigações a dez anos

Fonte: IGCP

Mas que mais impressionou Filipe Silva, e o próprio o ministro das Finanças, na emissão foi mesmo a dimensão das ordens de compra dadas pelos investidores esta manhã. Revelaram um apetite voraz por dívida portuguesa (um sinal de confiança em relação a Portugal), o que permitiu baixar o prémio de risco que os investidores acabaram por cobrar ao país. Os livros de ordens abriram esta manhã com um spread de 120 pontos base, baixando para os 114 pontos no fecho da operação, depois de terem sido enviadas ordens de compra superiores a 17 mil milhões de euros, quatro vezes mais do que aquilo que foi efetivamente “vendido”.

“A procura que tivemos serviria para garantir todo o financiamento da República em 2018”, destacou Mário Centeno aos deputados. “E com uma taxa de referência de 2,13%, a mais mais nestas aplicações nos últimos anos”, frisou ainda.

Portugal começa assim 2018 como terminou 2017: a baixar o custo da dívida. No ano passado, a nova dívida foi emitida a uma taxa de juro média de 2,6%, possibilitando uma redução do custo do total da dívida dos 3,2% para os 3%, o mais baixo da década.

Com este sindicato bancário, o Tesouro português assegurou um duplo objetivo — para lá da satisfação das necessidades de financiamento a um baixo custo. É que este tipo de operações permite colocar um maior volume de títulos de uma só vez ao preço de mercado e ainda aumentar a diversificação da base de investidores, quer a nível geográfico, quer por tipo de investidor. Cerca de 80% das obrigações foram compradas por bancos e gestores de fundos, esclareceu o IGCP.

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