Carlos Moedas leva ao Congresso do PSD moção sobre desigualdades sociais

  • Lusa
  • 27 Janeiro 2018

Segundo Pedro Duarte, que assina a moção com Moedas, o texto tem “um pendor social-democrata moderno, claramente a puxar para a esquerda do PSD".

O ex-líder da JSD Pedro Duarte e o comissário europeu Carlos Moedas vão levar ao congresso do PSD uma proposta sobre as desigualdades sociais, que pretende ser “um contributo construtivo e não concorrencial” ao texto do presidente eleito, Rui Rio.

Intitulado “Combater a Desigualdade”, o texto trata do impacto da evolução tecnológica e da globalização na sociedade e no agravamento do fosso entre ricos e pobres, e desafia o PSD a lançar, ainda este ano, um ciclo de conferências sob o mote “Nova Social-Democracia para Novos Tempos”.

“Impõe-se um novo ‘contrato social’ que assegure sustentabilidade ao sistema e eficácia ao modelo. O debate deve questionar a justiça da atual progressividade fiscal, deve estudar formatos inovadores como o rendimento básico universal e deve equacionar novas políticas ativas de emprego, dando a flexibilidade que a nova economia exige, sem pôr em causa a segurança que legitimamente os cidadãos anseiam”, defendem os autores, na proposta a que a Lusa teve acesso.

Em declarações à Lusa, Pedro Duarte justificou a apresentação de uma proposta temática – algo que não fez no último Congresso – por defender, como disse após as eleições autárquicas, que o PSD precisava de “uma nova agenda política”. “No anterior congresso existia um líder em continuidade, entendi que deveria ser a direção em funções a empreender essa tarefa. Nesta altura, faz sentido que haja contributos”, explicou, frisando que a sua proposta e de Carlos Moedas é “um contributo construtivo e não concorrencial” à moção de estratégia global que Rui Rio irá apresentar.

De acordo com o antigo secretário de Estado da Juventude, o texto elaborado em conjunto com o comissário europeu para a Investigação, Inovação e Ciência tem “um pendor social-democrata moderno, claramente a puxar para a esquerda do PSD”. “Não queremos apresentar soluções fechadas nem impor nenhuma das nossas visões, mas faz sentido que a sociedade olhe para estas questões e o PSD pode liderar o debate”, defendeu Pedro Duarte, que foi deputado em várias legislaturas e dirigiu a campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

A proposta temática conta já entre os subscritores com a assinatura de António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e um dos colaboradores da moção de Rui Rio, do presidente da JSD Simão Ribeiro ou do presidente da Câmara Municipal de Famalicão Paulo Cunha. No texto, defende-se que “a nova agenda política do PSD deve priorizar a componente social e os novos desafios que lhe são inerentes”.

[Moção tem] um pendor social-democrata moderno, claramente a puxar para a esquerda do PSD.

Pedro Duarte

Ex-secretário de Estado da Juventude

“E deve fazê-lo com uma abordagem adaptada ao século XXI e não mais sustentada em conceitos e dogmas ideológicos que, tendo marcado o século passado, estão hoje indubitavelmente ultrapassados. Portugal precisa de um PSD revigorado com uma proposta política clara e inspiradora. Alicerçada nos valores de Sá Carneiro, mas mobilizadora de novas dinâmicas que respondam aos desafios atuais”, refere o texto.

Na moção, lembram-se os impactos negativos da evolução tecnológica e da globalização no agravamento das desigualdades, mas aponta-se que as mudanças que continuarão nos próximos anos podem representar uma oportunidade para “uma pequena economia aberta”, como a portuguesa.

“As características do nosso povo, com mente e espírito voltados para o mundo, com uma adaptabilidade invejável e com criatividade e ambição são um enorme ativo. E as características deste novo mundo, em que o fator espaço perde relevância, colocam-nos numa posição já não mais periférica”, refere a proposta.

Pedro Duarte e Carlos Moedas propõem ao PSD que lance, já este ano, um conjunto de conferências sobre esta temática, com dois objetivos: dinamizar a militância interna, “dando voz ao povo social-democrata na construção” do futuro programa político do partido e, por outro lado, abrir o partido a novos “talentos” que existem em centros de investigação, pequenas empresas, ‘startups’ ou universidades e politécnicos.

O PSD pode ser o veículo para interpelar estas personalidades para contribuírem civicamente para o futuro do seu país.

Carlos Moedas e Pedro Duarte

Moção para o Congresso do PSD

“O PSD pode ser o veículo para interpelar estas personalidades para contribuírem civicamente para o futuro do seu país”, defende o texto, que aponta como fim último da iniciativa ser “a base de uma proposta que possa beneficiar o futuro Programa Eleitoral do PSD”.

Os autores da proposta temática defendem, desde já, algumas orientações para “nortear o debate político que o PSD deverá liderar” no combate à desigualdade e que passa pelo ajustamento do modelo de ensino e formação ao século XXI, pela aposta na cultura como “pilar diferenciador de uma sociedade portuguesa moderna e justa”, pela prioridade à inovação como base do novo modelo económico e pela afirmação de um Estado Social “moderno e reajustado à realidade presente e futura”.

As propostas temáticas podem ser entregues até à próxima quarta-feira, tal como as propostas de alteração estatutárias. O 37.º Congresso do PSD realiza-se entre 16 e 18 de fevereiro no Centro de Congressos de Lisboa.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Carlos Moedas leva ao Congresso do PSD moção sobre desigualdades sociais

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião