Casa é bom investimento? No longo prazo, mais vale apostar em ações

Estudo do Credit Suisse analisou 118 anos de história nos mercados. Ações destacam-se como o ativo com retornos mais elevados, batendo o imobiliário. Já no curto prazo, impera a aposta em obrigações.

Há uma crença instalada de que a compra de casa é o melhor investimento que se pode fazer. Mas tal parece não ser assim. De acordo com um estudo do Credit Suisse, no longo prazo, o investimento em ações e obrigações é uma aposta que se apresenta mais generosa para os investidores.

A conclusão pode ser extraída do Global Investment Returns Yearbook, um estudo anual realizado em parceria entre o Credit Suisse e a London Business School que analisou e comparou a evolução, por um período de 118 anos, de um conjunto de cinco ativos — ações, obrigações, bilhetes do Tesouro e moeda –, mas também bens tangíveis como imobiliário e colecionismo.

No total, esta análise teve em consideração 23 países: EUA, Canadá, 17 países da Europa — 11 da Zona Euro, incluindo Portugal — quatro países da Ásia Pacífico, e África do Sul.

Retorno médio a nível global entre 1900 e 2017

Fonte: Credit Suisse Global Investment Returns Yearbook 2018

Em termos globais, entre 1900 e 2017, o retorno real anualizado do investimento em ações foi de 5,2%. No que respeita, ao investimento em obrigações e bilhetes do Tesouro, as taxas de retorno foram de 2% e 0,8%, respetivamente. Já relativamente ao imobiliário, a taxa de retorno anual foi em média de 1,3% nesse intervalo de 118 anos. No caso do imobiliário, no entanto, foram apenas considerados 11 países do universo total de 23 considerados.

O estudo salienta que o preço das casas não cresceu a uma taxa consistente ao longo do histórico analisado. “Ao longo da primeira metade do século XX, os preços médios das casas não se moveram de todo em termos reais. Os preços começaram a subir nos anos da década de 1950, com um registo ainda mais visível nos anos da década de 1960. Contudo, o mais extenso período de crescimento foi entre meados dos anos 1990 até início da crise financeira global, quando os preços reais das casas aumentaram 6,2% ao ano”, explica o estudo.

Retorno médio em Portugal entre 1900 e 2017

Fonte: Credit Suisse Global Investment Returns Yearbook 2018

No entanto o Global Investment Returns Yearbook alerta que, apesar de as casas terem sido um investimento menos arriscado do que as ações, “a expressão ‘seguro como casas’ é enganosa”. Para tal, socorre-se do exemplo dos EUA. “Os preços das casas nos EUA caíram mais de 36% em termos reais desde o último pico de 2005 até ao seu mínimo em 2012″.

Portugal não foi um dos países incluídos na análise específica ao setor imobiliário, mas segue a mesma tendência da análise global no que respeita à atratividade do investimento em ações. Entre 1900 e 2017, o investimento nesta classe de ativos apresentou uma taxa de retorno anualizada de 3,2%. Essa taxa compara com um retorno negativo de 1,6% no que respeita ao investimento em obrigações e de -1,1% em termos da aposta em bilhetes do Tesouro.

No curto prazo reinam as obrigações

Se no longo prazo as ações são o rei dos retornos do investimento, numa análise de curto prazo o caso muda de figura. Tanto a nível global, como em Portugal, as obrigações são o rei dos investimentos. Entre 2000 e 2017, esta classe de ativos apresentou um retorno real anualizado de 4,9%. A taxa de retorno baixa para 2,9% no investimento em obrigações e é negativa em 0,5% no que respeita aos bilhetes do Tesouro.

No mesmo horizonte temporal, as ações perdem qualquer atratividade no que respeita ao mercado nacional. Em Portugal, esse investimento apresentou uma taxa de retorno negativa em 1,5%, enquanto nos bilhetes do Tesouro o retorno anualizado foi de -0,2%. Também aqui as obrigações reinam com uma taxa real de retorno de 4,9%.

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