CTT vão encerrar mais lojas que o anunciado. Podem chegar a 60

Administração da empresa está a negociar com várias juntas de freguesia a passagem de estações a simples postos de correio.

Os CTT estão encerrar mais lojas do que as 22 que tinham sido anunciadas no início do ano. É o caso da estação de Almodôvar, no Alentejo, onde os habitantes viram surpreendentemente a loja fechar na passada sexta-feira para dar lugar a um posto de correios com menos serviços, gerido por entidades locais. Segundo o Correio da Manhã, há mais 14 lojas que a empresa de correios já decidiu fechar, mas o número poderá ser ainda mais elevado.

O fecho de estações faz parte de um plano de reestruturação mais abrangente, anunciado no final do ano passado, para travar a deterioração do negócio do correio postal. Em 2017, os lucros terão afundado 27% para 46,17 milhões de euros, de acordo com estimativas dos analistas. Embora o plano inicial contemplasse o encerramento de apenas 22 estações, a verdade é que a administração liderada por Francisco Lacerda pretende mais fechos.

O CM indica que, para já, está decidido o fecho de mais 14 lojas, para além das 22 já anunciadas, mas o número poderá ser superior. Ao todo, de acordo com o secretário-geral do Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Telecomunicações e dos Media, poderão encerrar 60 estações. Para já, contam-se 36 que vão fechar.

Apurou o ECO que os CTT estão a negociar com várias juntas de freguesias no Alentejo e no Norte do país o fecho de mais lojas. Em cima da mesa está a passagem de estações a postos de correio, com serviços mais reduzidos e com a gestão a passar para o lado público. Caso as negociações não encontrem um bom porto, então a ideia é passar a gestão para o comércio local. Já o CM avança que em causa estarão estações em Vila Franca de Xira, Loures, Amadora, Sintra, Almodôvar, Aguiar da Beira e Sátão.

É isto que tem vindo a acontecer com os primeiros fechos anunciados pelo ECO a 2 de janeiro e o que aconteceu também com a loja de Almodôvar: encerrar lojas em substituição de postos de atendimento, com menos serviços. Só que desta vez os CTT não deram aviso à Comissão de Trabalhadores de que tencionam encerrar mais lojas e passaram diretamente para a fase de negociações com o poder local no sentido de continuar a ajustar a rede de pontos às atuais necessidades.

“Eu diria que não vamos ficar por aqui. Há algumas estações de pequena dimensão, como a de Óbidos ou outras, que são estações que a empresa tem vindo, ao longo dos anos, a não colocar ninguém. São estações de uma unidade, pequenas e a empresa não tem vindo a reforçar”, assume José Rosário, coordenador da Comissão de Trabalhadores dos CTT.

Ao ECO, fonte oficial dos CTT confirmou que o ponto de acesso em Almodôvar é “desde hoje operado por um parceiro privado”.

O ECO avançou em primeira mão a lista das 22 lojas que os CTT pretendiam encerrar a 2 de janeiro. A notícia criou algum desconforto no seio da administração e apanhou o poder local de surpresa, a quem empresa pretendia concessionar o agenciamento dos postos — desvinculando-se ela própria da prestação do serviço.

Para José Rosário, “este modelo de passagem do serviço para outras entidades vai continuar”. E “ema das questões que temos de colocar é: qual é o limite?”, pergunta o coordenador da Comissão de Trabalhadores da empresa.

Os encerramentos de lojas fizeram subir de tom a polémica em torno da eventual deterioração da qualidade do serviço de correio postal prestado pela empresa. Foram várias as vezes que Francisco Lacerda veio a público para dar explicações e acalmar os ânimos.

O plano de reestruturação foi anunciado em dezembro e inclui a saída da empresa estão 800 trabalhadores até 2020. A administração também vai cortar salários e prémios aos gestores. Em relação ao dividendo, foi reduzido em 20% dos 48 cêntimos por ação para os 38 cêntimos, com os CTT a remunerarem os seus acionistas em 57 milhões de euros — o que corresponde a um payout expectável de 123%.

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