Buffett ganhou 29 mil milhões com reforma fiscal de Trump

  • Marta Santos Silva
  • 24 Fevereiro 2018

Na sua carta anual aos acionistas, Buffett refere que a sua empresa Berkshire Hathaway fez milhões, mas poucas aquisições, num ano em que os investidores foram "um exército de compradores otimistas".

A Berkshire Hathaway, a empresa do multimilionário Warren Buffett, lucrou 65 mil milhões de dólares em 2017. No entanto, como assinalou Buffett na sua já mítica carta anual aos investidores da empresa que dirige, 2017 foi um ano especial: só 36 mil milhões de dólares desses ganhos vieram das operações da Berkshire, enquanto os outros 29 mil milhões “foram entregues em dezembro quando o Congresso [dos Estados Unidos] reescreveu o código fiscal norte-americano“.

A carta de Buffett é habitualmente aguardada por trazer reflexões profundas sobre mais um ano nos mercados e no mundo empresarial, além da sabedoria e sentido de humor de um homem conhecido pela sua vida modesta para um multimilionário e pelos seus investimentos cuidadosos, e este ano não foi exceção.

Buffett assinala, desde logo, que 2017 foi um ano difícil no campo das aquisições, em especial porque a Berkshire procura só fazer aquisições a “preços sensatos”. Foi esta exigência que “foi uma barreira a quase todos os negócios que revimos em 2017”, assinala o presidente de 87 anos da Berkshire. “Os preços para negócios decentes, mas longe de espetaculares, estavam altíssimos. O preço parecia quase irrelevante para um exército de compradores otimistas”.

Quanto menos prudentes forem os outros nos seus negócios, mais prudentes seremos nós nos nossos.

Warren Buffett

CEO da Berkshire Hathaway

Quem são estes compradores otimistas? Para Buffett, o trabalho de CEO é um que favorece pessoas dadas à ação, e se recebem instruções de analistas ou conselhos de administração para fazerem aquisições, vão fazê-las, ou, nas palavras de Buffett: “É como dizer ao teu [filho] adolescente para ter cuidado em ter uma vida sexual normal”. Assim, a Berkshire teve cuidado no campo das aquisições, assinalou Buffett, porque tem uma regra: “Quanto menos prudentes forem os outros nos seus negócios, mais prudentes seremos nós nos nossos”.

Desde 1977 que Warren Buffett escreve a sua famosa carta aos acionistas, e agora, aos 87 anos, não disse diretamente quem o iria suceder na direção da empresa. Sublinhou que ainda está em ótima forma, mas que existem “recomendações” suas conhecidas dos diretores para quem deveria ficar no seu lugar. “Todos os candidatos trabalham neste momento para a Berkshire ou estão disponíveis para isso”, acrescenta Buffett na carta, “e são pessoas em quem tenho toda a confiança”.

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