Gerd Leonhard: “Em dez anos, estar offline será um luxo”

  • ECO
  • 28 Fevereiro 2018

Na próxima década, a separação entre o digital e o físico desaparecerá. Estar offline será mesmo um luxo. Essa é a opinião do futurista de Gerd Leonhard.

Em 2023, estar offline será um estado mental, não tecnológico. “Não saberemos o que é estar offline”, reforçou, esta quarta-feira, Gerd Leonhard, na Vodafone IoT Conference. De acordo com o futurista, na próxima década, estar desligado transformar-se-á mesmo num luxo, já que a diferença entre o digital e o físico desaparecerá.

“Os filhos dos vossos filhos não saberão conduzir, não saberão o que é um livro e falarão centenas de línguas através dos tradutores digitais”, explicou Leonhard, referindo que o futuro dos automóveis, por exemplo, passará por uma solução próxima do Spotify — aplicação para streaming de música. “O futuro dos carros é não ter carros”, sublinhou o futurista, reforçando que tal só pode ser interpretado como uma má notícia para os fabricantes se se adotar uma perspetiva a curto prazo.

Além disso, Gerd realçou que a revolução tecnológica que já está em curso — e que terá um impacto maior que a revolução industrial — poderá ser sinónimo do fim da morte humana. “Em menos de dez anos, poderemos tratar os diabetes com tecnologia”, enfatizou o futurista. Nesse sentido, destaque ainda para a possibilidade de editar o próprio genoma humano, nas próximas duas décadas, o que facilitará a luta contra doenças como o cancro.

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Tudo o que pode ser automatizado será

Nos próximos 10 anos, tudo o que pode ser automatizado será. “É o fim da rotina, não o fim do trabalho”, defendeu Gerd Leonhard. O futurista acredita que serão criados centenas de novos postos de trabalho. Por outro lado, todo o trabalho que não pode ser feito por máquinas ganhará ainda mais valor.

“Em cinco anos, as máquinas serão mais rápidas do que os médicos a diagnosticar doenças. Serão os médicos ainda úteis? Claro que sim”, assinalou o empresário, que fez questão de realçar que a tecnologia é apenas uma ferramenta.

Leonhard deixou ainda um alerta para as empresas: “é preciso garantir aos trabalhadores, que não estamos a usar a tecnologia para os substituir. Estamos a usar a tecnologia para nos livrarmos da rotina e arranjar novos trabalhos para esses colaboradores”. É, nesse quadro, que o futurista prevê que, em 2030, 70% dos empregos nem sequer terão sido criados. “O futuro é luminoso”, reforçou.

Gerd terminou a sua intervenção com boas notícias para Portugal: “Portugal pode ser agora um gigante do petróleo, porque tudo gira em torno dos dados. Os dados são o novo petróleo”. No ano passado, as empresas focadas na gestão de dados faturaram mais do que a indústria centrada no ‘ouro negro’.

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