CTT registam queda histórica dos lucros. Caem 56% para 27 milhões de euros

Lucro dos CTT afundou 56% em 2017 para os 27 milhões de euros. Menos negócio no correio postal e nos serviços financeiros penalizaram contas do operador postal.

Lucro ao fundo. Os CTT CTT 2,16% registaram uma queda de 56,1% do resultado líquido para os 27,3 milhões de euros em 2017, como consequência da deterioração do negócio postal que levou a empresa a uma profunda reestruturação nos próximos três anos. Este mau desempenho do operador liderado por Francisco Lacerda saiu pior do que o esperado pelos analistas.

A pressionar as contas estiveram sobretudo três fatores: a queda do tráfego de correio, os gastos com plano de saída de trabalhadores e ainda a entrada da empresa Transporta no Grupo CTT.

Em relação ao negócio core dos CTT, a distribuição de cartas, o operador dá conta de uma quebra de 11,5% do EBITDA — lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — para os 75,4 milhões de euros. Isto acontece depois de o volume de correio endereçado ter caído quase 5,6% para um total de 736 milhões de objetos entregues pelos correios. Francisco Lacerda adiantou esta quarta-feira em conferência de imprensa que a queda no correio vai continuar.

Também o negócio dos Serviços Financeiros, que inclui a comercialização de certificados de poupança do Estado, viu o EBITDA afundar 19,6% para 30,4 milhões de euros.

Por outro lado, assumindo-se cada vez mais como uma alavanca de crescimento de resultados dos CTT, o negócio de Expresso e Encomendas cresceu 11,4% em 2017 com as receitas a ascenderem a 134,6 milhões de euros. Em relação ao Banco CTT, outra aposta da administração, o volume de negócio atingiu os 7,6 milhões de euros, um resultado ainda pouco expressivo face às receitas totais do grupo.

Saídas custam 12 milhões

Quando às saídas de trabalhadores da empresa, no âmbito do plano de reestruturação anunciado no final do ano passado, os encargos assumidos pelos CTT ascenderam a 11,9 milhões de euros, adicionando pressão sobre as contas. Foram 161 as saídas efetivadas no seio do Plano de Transformação Operacional em curso e que vai levar à saída de mais 800 funcionários nos próximos três anos.

O grupo tinha no final de 12.163 trabalhadores no final do ano passado, mais 14 face a 2016. Apesar da diminuição do número de efetivos, houve um amento do número de trabalhadores contratados a termo certo.

Payout de 200%

Face a este resultado e ao dividendo de 0,38 cêntimos, os CTT vão dar 200% do lucro que tiveram no ano passado. Isto é, apesar de lucros de 27,3 milhões de euros, a remuneração aos acionistas vai chegar os 57 milhões de euros, representando um payout de 208,8%.

Ainda assim, Francisco Lacerda voltou a dizer que esta situação não vai repetir-se no futuro. “Pagar acima do resultado do exercício era a política que estava em vigor. Daqui em diante, a política voltará a ser pagar dividendos limitados aos resultados que tivermos no exercício”, frisou o presidente dos CTT na conferência de resultados.

(Notícia atualizada às 18h32)

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