Imobiliário comercial pode gerar negócios de 2,6 mil milhões

A CBRE e a VdA antecipam um volume de transações comerciais nacionais que poderá chegar aos 2,6 mil milhões de euros este ano, sublinhando a importância de se evitarem alterações legislativas.

Numa altura em que o mercado imobiliário nacional tem sido bastante apetecível para os investidores internacionais, a CBRE — Consultora Imobiliária Internacional e a Vieira de Almeida (VdA) mostram-se confiantes em relação ao apetite dos estrangeiros no país, sublinhando o crescimento do número de nacionalidades destes no imobiliário comercial. No entanto, alertam para a importância de haver previsibilidade no que respeita à legislação para o setor. Não querem surpresas.

De acordo com o “The Property Handbook — a Real Estate Investment Guide“, a 3.ª edição do guia de investimento imobiliário em Portugal da CBRE e da VdA, o país bateu um novo recorde no volume de investimento comercial, fixando-se nos 2,2 milhões de euros e, para este ano, as entidades acreditam que esse valor será ainda maior — apontam para 2,6 mil milhões de euros.

O mercado imobiliário está a atravessar um momento sem igual“, afirma Miguel Marques dos Santos, sócio da VdA, sublinhando o aumento de número e de tipo de investidores, mas chamando a atenção para o facto de, embora o investimento nacional ter aumentado de forma significativa, os estrangeiros continuarem a ter a maior fatia do setor — 80% o ano passado.

Analisando a situação atual do mercado imobiliário português, em que se vê claramente esse aumento da presença internacional nas transações, Francisco Horta e Costa, diretor geral da CBRE Portugal, ressalva que “temos investimento como nunca tivemos neste mercado. E nunca teremos investimento a mais“. O líder da CBRE acrescenta mesmo que “não há sinais de que essa vaga de investimento estrangeiro vá abrandar”.

"Temos investimento como nunca tivemos neste mercado. Não há sinais de que essa vaga de investimento estrangeiro vá abrandar.”

Francisco Horta e Costa

Diretor Geral, CBRE Portugal

As duas entidades concluíram que, em 2016, o investimento internacional proveio maioritariamente do norte da América, sendo caracterizado como “oportunista porque procura produtos mais baratos para, posteriormente, vender”, afirma Miguel Marques dos Santos. No entanto, um ano depois, essa presença reduziu, havendo um número mais vastos de nacionalidades a investir em imóveis comerciais em território português.

Em 2017 o investimento foi mais europeu, mais institucional e de muito menor risco“, explica Cristina Arouca, diretora de pesquisa da CBRE, acrescentando que, nesse mesmo período, “os investidores nacionais voltaram a investir e em força”.

“A instabilidade legislativa é inimiga do investimento”

É importante que se evitem tentações de alterar o que está bem pois, como se sabe, a instabilidade legislativa é inimiga do investimento“, afirma o advogado, remetendo para as recentes alterações legislativas que têm acontecido e que acabam por, inevitavelmente, “reduzir a confiança dos investidores internacionais”.

Tanto a CBRE como a VdA alertam para a importância de serem tidos em conta certos pontos, tais como “rever e simplificar o regime do IVA“, de forma a tornar os investimentos “mais simples e percetíveis para os potenciais compradores internacionais” e ainda evitar alterações no Novo Regime do Arrendamento Urbano e do Regime Jurídico das Obras em Prédios Arrendados, pois, conforme explica Francisco Horta e Costa, “os investidores estrangeiros ficam de pé atrás relativamente a este tipo de instabilidades”.

Para além disso, as entidades referem ainda um terceiro ponto que consideram fundamental — a aprovação do regime de REITs no país, um veículo de investimento no setor imobiliário que já comum em vários países, nomeadamente em Espanha, chamadas SOCIMI. O sócio da VdA afirma mesmo que “estamos a perder investimento por não darmos oportunidades de aplicar esses instrumentos cá“, que poderiam “facilmente aumentar a receita fiscal”.

Contudo, Miguel Marques dos Santos afirma que, “apesar das mudanças negativas [na legislação], o mercado imobiliário nacional teve capacidade de as absorver“, acabando por não ter havido um impacto negativo.

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