Pingue-pongue de reações: Nos responde à Altice e rejeita que tenha acusado o Governo de fraude

A Nos respondeu à Altice e diz que não acusou o Governo de fraude nem a Anacom. Posto isto, "reafirma" que "a Fibroglobal é uma fraude".

É um pingue-pongue de reações. Depois de, na tarde deste sábado, a Altice Portugal ter reagido à entrevista do presidente executivo da Nos publicada no Expresso, a operadora liderada por Miguel Almeida vem agora reagir à reação da concorrente. “Em momento algum a Nos acusou o Governo de fraude, este ou outro, a Anacom, esta administração ou outra, nem mesmo o seu único concorrente que a utiliza”, diz fonte oficial da empresa numa nota enviada às redações ao final da tarde.

“O que a Nos e outros operadores têm vindo a assistir é a uma completa inação sobre este dossiê que prejudica cerca de 250 mil lares portugueses que deveriam ter direito a poder escolher o seu provedor de serviços e não ficar limitados a apenas uma oferta”, refere a mesma fonte.

Posto isto, a NOS não retira, mas vem reforçar ainda mais as acusações de “fraude” no que à Fibroglobal dizem respeito. “A Nos reafirma que a Fibroglobal é uma fraude, pois foi construída com dinheiros públicos para servir todo o mercado, à semelhança das outras redes rurais no Norte e no Sul do País e que são usadas pelos diversos operadores. Mas o caso da Fibroglobal continua por resolver, havendo apenas um operador que a usa”, refere fonte oficial da empresa.

A Fibroglobal é um tema quente no setor das comunicações. Recebeu dinheiros públicos para criar uma rede de fibra ótica que, atualmente, só tem a Meo como cliente — as restantes operadoras queixam-se de que não é rentável e têm vindo a acusar a Altice Portugal de alegados interesses nessa empresa. O caso está a ser investigado pela Anacom e pela Autoridade da Concorrência.

A Nos reafirma que a Fibroglobal é uma fraude.

Nos

Fonte oficial

A resposta da Nos surge depois de a Altice ter respondido à entrevista que Miguel Almeida deu ao Expresso este sábado. Nela, o líder da Nos refere “grande parte” dos locais afetados pelos incêndios “é servida pela rede da Fibroglobal, que foi paga com dinheiros públicos e está a ser usada de forma privada”. E acrescentou que isso “constitui uma fraude”. Depois, indicou: “É uma fraude com a qual sucessivos governos, não apenas o atual, e sucessivas administrações da Anacom, não apenas a atual, têm pactuado com o seu silêncio e inação”.

Uma entrevista que gerou resposta da parte da Altice Portugal: “Sobre a acusação de fraude na atuação de uma participada a Altice escusa-se a comentar o tema, afirmando, contudo, considerar irresponsável e preocupante o ataque grave e gratuito feito ao Governo português e ao próprio regulador.”

(Notícia atualizada às 19h03 com mais informações)

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