Misericórdias no Montepio? “Investimento fica à responsabilidade de quem o faz”

  • Rita Atalaia
  • 27 Março 2018

Assim como o ex-presidente do Montepio, o presidente do Crédito Agrícola, Licínio Pina, diz não saber o que é um banco de economia social.

O presidente do Crédito Agrícola afirma que a entrada das misericórdias no capital do Montepio ficará “à responsabilidade de quem o faz”. Licínio Pina reforça a ideia de que estas entidades não têm vocação para terem participações financeiras em bancos. O objetivo deste investimento será a criação do chamado banco da economia social. Mas, assim como Félix Morgado, ex-presidente do Montepio, o responsável pelo Crédito agrícola diz não saber o que é um banco social.

“Por princípio, penso que as misericórdias não têm vocação para terem participações financeiras em bancos. Existem com um objetivo muito claro: apoio social. E não devem desviar-se daí”, afirma o presidente do Crédito Agrícola, Licínio Pina, na apresentação dos resultado do banco para 2017, quando conseguiu mais do que duplicar os lucros para 150,2 milhões de euros. É por isso que “qualquer outro investimento fica à responsabilidade de quem o faz”, salienta.

"Por princípio, penso que as misericórdias não têm vocação para terem participações financeiras em bancos. Existem com um objetivo muito claro: apoio social. E não devem desviar-se daí. Qualquer outro investimento fica à responsabilidade de quem o faz.”

Licínio Pina

Presidente do Crédito Agrícola

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai entrar no Montepio. Mas conta com o apoio das outras misericórdias e IPSS. Isto, justifica a Associação Mutualista Montepio Geral, com o objetivo de criarem um banco de economia social. Mas que tipo de entidade é esta? “Não sei o que é isso”, refere Licínio Pina, reiterando a posição do ex-presidente do Montepio, Félix Morgado, que diz saber o que “é um banco alimentar, mas um banco social”.

“Banco da economia social? Não sei o que é isso. Ainda não apareceu nenhuma licença bancária que diga banco de economia social. Se o querem, têm aqui. Somos o banco que está mais próximo das populações”, nota o presidente do Crédito Agrícola, acrescentando que “se há problemas noutro banco e se, com a capa de um banco social, querem constituir um banco de economia social, constituam, mas não contem connosco”.

Se há problemas noutro banco e se, com a capa de um banco social, querem constituir um banco de economia social, constituam, mas não contem connosco.

Licínio Pina

Presidente do Crédito Agrícola

Licínio Pina garante que o Governo não falou diretamente com a administração do banco. “Houve várias pessoas da Associação Mutualista que falaram comigo e referiram que era vontade das altas instâncias do país fazer isso”, explica. A ideia seria criar uma holding do banco de economia social, que, depois, reportaria ao regulador como consolidado, diz o presidente do Crédito Agrícola, que chegou a ser abordado pelo Banco de Portugal.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Misericórdias no Montepio? “Investimento fica à responsabilidade de quem o faz”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião