Depois dos incêndios, substituição das linhas tirou rede à Vodafone

A Vodafone ainda tem clientes sem comunicações desde os incêndios porque as redes de cobre terão sido substituídas, pela concorrente Altice Portugal, por uma rede de fibra ótica a que não tem acesso.

Mário Vaz, presidente executivo da Vodafone Portugal.Paula Nunes/ECO

A Vodafone Portugal diz que ainda tem 17 clientes à espera da reposição das comunicações interrompidas por causa dos incêndios, devido à substituição de linhas de cobre nas regiões por uma nova rede de fibra ótica a que não tem acesso. Em causa estará a substituição de linhas de cobre por redes de fibra ótica por parte da concorrente Altice Portugal, em nome próprio ou como fornecedora de serviços da Fibroglobal, a polémica empresa que recebeu investimento de dinheiros públicos e da qual a Meo é a única cliente.

Segundo explicou esta quarta-feira o presidente executivo da Vodafone, Mário Vaz, o serviço destes 17 clientes “estava dependente da rede de cobre”. “Essa rede de cobre ardeu e foi substituída por outro tipo de tecnologia”, isto é, por uma rede diferente que não pode ser usada pela Vodafone para prestar o mesmo serviço. No Parlamento, durante uma audição na comissão de economia, o gestor mostrou-se mesmo “agradecido pela forma estoica como esses clientes tem aguardado a reposição do serviço”.

À margem da audição, questionado sobre se a rede em causa pertence à Altice Portugal ou à Fibroglobal, o líder da Vodafone disse: “Eu não faço ideia se a PT que está a repor é a PT PT, se é a PT que é, por sua vez, a entidade que fornece também a rede de comunicações da Fibroglobal”. No entanto, reconheceu que “há coincidência entre concelhos ardidos, cobre que desapareceu nesses concelhos e que são concelhos em que a fibra é das redes rurais da Fibroglobal”.

“No cobre, o cliente tinha alternativa”

Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, tem dito em várias intervenções que uma das decisões tomadas pela dona da Meo na sequência dos incêndios foi a de substituir linhas de cobre ardidas por redes de nova geração, com a fibra ótica.

Ora, sobre isso, Mário Vaz, em resposta ao ECO, afirmou: “Para se acabar com o cobre é preciso um pré-aviso e o pré-aviso não é tão pequeno quanto isso: são cinco anos, para terminar com cobre e pôr fibra”. Além disso, para o gestor, a questão é também de concorrência: “No cobre, o cliente tinha alternativa, tinha opção de escolha de operadores e na fibra não tem. Só tem aquele [a Meo]. Isso é que não pode ser ser. E o cliente que queria outro operador está desde outubro à espera.”

Também este sábado, numa entrevista publicada no Expresso, Miguel Almeida, presidente executivo da Nos, acusou a Meo de estar a propor aos clientes afetados pelos fogos um novo serviço assente em fibra ótica com “serviços adicionais”. Falando sobre estes clientes, Miguel Almeida disse: “São essencialmente clientes cujos serviços estavam assentes na rede de cobre do incumbente [Meo]. O que o incumbente faz é propor-lhes a migração para serviços de fibra, com serviços adicionais. Não é já só voz fixa, tentam também vender televisão. Podem dar-se ao luxo de o fazer porque não há concorrência”, explicou o gestor.

Ainda nessa entrevista, o líder da Nos disse que “grande parte destes locais” afetados pelos fogos “é servida pela rede da Fibroglobal, que foi paga com dinheiros públicos e está a ser usada de forma privada, o que constitui uma fraude”. De recordar que a Altice Portugal tem sido acusada de ter interesses na Fibroglobal, por esta ser detida alegadamente por uma empresa ligada ao mesmo grupo.

As declarações mereceram resposta da Altice Portugal no fim de semana. Especificamente “sobre a acusação de fraude na atuação de uma participada”, a Altice disse escusar-se “a comentar o tema”.

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