Governo diz que não será TGV. Ligação Évora-Mérida será “linha ferroviária convencional”

  • Lusa e Rita Atalaia
  • 26 Abril 2018

Bruxelas deverá divulgar, através do Twitter, a decisão de avançar com o comboio de alta velocidade entre Évora e Mérida. Contudo, ao ECO, Governo garante que será uma "linha convencional".

A Comissão Europeia deverá divulgar esta quinta-feira, através da rede social Twitter, a decisão de avançar com o comboio de alta velocidade entre Évora, em Portugal, e Mérida, em Espanha, segundo avançou fonte comunitária. Contudo, ao ECO, fonte oficial do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas garante que será apenas uma “linha convencional” e não um TGV.

À margem da conferência sobre a rede de transporte transeuropeu, fonte europeia explicou, num encontro com jornalistas, que a informação surge depois de uma reunião entre a comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulc, e os ministros de Portugal, Espanha e França, avança a Lusa. A ligação de alta velocidade entre Sines-Lisboa e Madrid é um dos projetos considerados prioritários a nível europeu.

Contudo, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas assegurou à TSF que “não vai avançar com qualquer linha de alta velocidade. Mas sim com uma linha ferroviária convencional para ligar Évora a Mérida”.

"A Comissão Europeia está a fazer uma grande confusão porque o troço que estamos a construir entre Évora e Elvas vai complementar o corredor de alta velocidade.”

Fonte do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas

Ao ECO, fonte oficial do ministério explicou que a “Comissão Europeia está a fazer uma grande confusão porque o troço que estamos a construir entre Évora e Elvas vai complementar o corredor de alta velocidade”, garantindo que não é um TGV, nem poderá vir a sê-lo. “Servirá apenas para transporte de mercadorias e não terá capacidade para evoluir para TGV”, refere.

Como explicou o ministério em março, a obra de construção da nova linha entre Évora e Elvas deverá iniciar-se até março de 2019 e a conclusão está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus).

Em fevereiro, o primeiro-ministro, António Costa afirmou, em entrevista ao diário espanhol ABC, que a construção de uma linha para comboios de alta velocidade entre Lisboa e Madrid estava adiada por “muito tempo” por ser uma questão “tabu” em Portugal.

“A alta velocidade é um tema tabu na política portuguesa e vai sê-lo por muito tempo”, disse então António Costa, acrescentando que “um dia” terá de se olhar para este tipo de rede ferroviária, que está a crescer na maior parte da Península Ibérica e na qual Portugal “estará de fora”.

Alta velocidade é uma “visão”

Um esboço da Comissão Europeia do futuro troço ferroviário entre Évora e Mérida faz menção ao “importante elo em falta na ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid”, mas fonte comunitária afirma que a alta velocidade é uma “visão”. Questionada pela agência Lusa sobre a inscrição da frase segundo a qual a “secção transfronteiriça tratará (do inglês will adress) um importante elo em falta na conexão de alta velocidade ferroviária entre Lisboa e Madrid”, fonte comunitária garantiu que o cenário em Portugal é “uma visão, uma orientação”.

“Talvez um dia”, respondeu a mesma fonte à pergunta sobre se alta velocidade ferroviária chegará a Portugal, acrescentando que outras questões a entrar na equação são a necessidade de financiamento elevado e avaliação ambiental.

(Notícia atualizada às 16h13 com declarações de fonte comunitária à Lusa)

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