Cambridge Analytica vai à falência depois do escândalo do Facebook

A consultora norte-americana, que terá usado dados pessoais de 87 milhões de utilizadores do Facebook para ajudar a eleger Donald Trump, terá decidido fechar portas esta quarta-feira.

Alexander Nix era presidente executivo da Cambridge Analytica, mas tinha sido suspenso depois da polémica com o Facebook. Esteve em Lisboa no Web Summit em 2017.Wikimedia Commons

A Cambridge Analytica vai encerrar. A consultora norte-americana, que esteve envolvida na polémica do uso indevido de dados pessoais de 87 milhões de utilizadores do Facebook, terá decidido fechar portas esta quarta-feira. Estava a perder clientes e a acumular uma despesa avultada com serviços jurídicos, avançou o jornal The Wall Street Journal, que cita responsáveis da empresa. A Associated Press avançou que a empresa declarou falência.

Os trabalhadores já terão sido informados da decisão e obrigados a devolver os computadores portáteis da empresa. Esta notícia surge depois de, em março, já ter sido suspenso do cargo o presidente executivo da Cambridge Analytica, Alexander Nix. Em causa, para além do uso indevido de dados do Facebook, estão também as estratégias que a empresa desenvolvia para ajudar os clientes a atingirem os seus objetivos.

Esta consultora trabalhou com a campanha de Donald Trump em 2016, na corrida à presidência da Casa Branca. Trump venceu e é, hoje, o Presidente dos Estados Unidos. Mas a empresa é acusada de se ter apropriado de dados pessoais de 87 milhões de utilizadores do Facebook, recolhidos por um académico, usando-os depois para segmentar campanhas na rede social.

Segundo o The Wall Street Journal, a decisão do fecho de portas estende-se também à empresa-mãe, o grupo SCL, que também deverá deixar de operar a partir desta quarta-feira, confirmou ao jornal o fundador, Nigel Oakes.

A polémica do uso indevido de dados levou o Facebook a atravessar uma crise como nunca antes tinha acontecido na empresa. Mark Zuckerberg, presidente executivo, que criou a rede social quando tinha 19 anos, teve mesmo de responder a centenas de perguntas de políticos norte-americanos em duas audições no Congresso dos Estados Unidos. Está também em cima da mesa a hipótese de vir a responder aos eurodeputados no Parlamento Europeu.

(Notícia atualizada às 19h53 com mais informações)

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