Nova líder da JSD diz que BE está a “branquear” caso Pinho com inquérito

BE já formalizou o pedido da constituição de uma comissão de inquérito sobre o caso Manuel Pinho. A líder da JSD considera que o largo âmbito dessa investigação é uma tentativa de "branquear" o caso.

A líder da Juventude Social Democrata (JSD) acredita que é “importante” ouvir o antigo ministro Manuel Pinho, sobre o alegado recebimento indevido de fundos do Grupo Espírito Santos enquanto era membro do Executivo, mas adianta que avançar com uma comissão de inquérito — como formalizou, na quinta-feira, o Bloco de Esquerda — “vai valer de muito pouco” se se replicar o modelo seguido na comissão relativa à Caixa Geral de Depósitos. A deputada acusa ainda os bloquistas de quererem “branquear” um caso grave, ao sugerirem período de análise (2004-2018) tão largo.

Em entrevista ao Observador, Margarida Balseiro Lopes explica que, no caso do banco público, “quiseram matar a comissão antes de muitos dos documentos que eram fundamentais para a descoberta da verdade chegarem”. Por isso, a social-democrata nota: “Avançar já para uma comissão de inquérito, ainda por cima vindo a proposta de quem vem, se for para fazer o que fizeram na Caixa, vai valer de muito pouco”.

Na opinião da jurista, o largo âmbito da proposta da esquerda (2004-2018) é “uma forma de dar a mão ao PS”, porque colocar “esse conjunto de pessoas que estão envolvidas em determinados casos” sob uma única investigação seria “branquear ou diluir a gravidade” da situação.

“Vai-se meter no mesmo saco o Governo do Durão Barroso com aquilo que está em juízo relativamente ao Governo de José Sócrates? Foi uma forma do Bloco, na minha opinião, dar a mão ao PS. Equiparando situações que não têm rigorosamente nada a ver“, reforça a deputada.

Esta quarta-feira, o Bloco de Esquerda formalizou o pedido de constituição parlamentar de inquérito ao “pagamento das rendas excessivas aos produtores de eletricidade”, que deverá abranger os Governos entre 2004 e 2018. Ficam abrangidos os Executivos liderados por Durão Barroso, Pedro Santana Lopes, José Sócrates, Pedro Passos Coelho e António Costa.

Os bloquistas querem que se apurem “as responsabilidades políticas” sobre as “rendas abusivas cobradas na área da energia”, que “foram lançadas no Governo de Durão Barroso, aprovadas no Governo de Santana Lopes e aditivadas em 2007 no Governo de José Sócrates com Manuel Pinho como ministro da Economia”, explica o deputado Jorge Costa.

Manuel Pinho, enquanto ministro da Economia de José Sócrates, terá alegadamente beneficiado em cerca de 1,2 mil milhões de euros a EDP, vantagem pela qual terá acabado por receber indevidamente fundos do conhecido “saco azul” do Grupo Espírito Santo. Entretanto, o líder da gigante da energia já defendeu que “não há nenhum renda excessiva” e afirmou que “está tranquilo com o processo”.

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