Analistas: Saída de bolsa do BPI terá pouco impacto

  • Lusa
  • 7 Maio 2018

“Com fontes privadas de financiamento é menos atrativo e flexível estar cotado”, afirmou um dos analistas. Outro acrescentou que a decisão "não é uma surpresa".

A anunciada intenção do CaixaBank de retirar o BPI de bolsa é “o corolário lógico” do “declínio do setor financeiro português” e da estratégia do banco espanhol com vista a uma “unidade ibérica”, segundo analistas ouvidos hoje pela Lusa.

Para Eduardo Silva, da corretora XTB Portugal, a retirada de bolsa do BPI “significa [que os espanhóis do CaixaBank] procuram maior flexibilidade e sair da ribalta para fazer crescer a empresa”. “Com fontes privadas de financiamento é menos atrativo e flexível estar cotado”, sustenta o analista, explicando que “o custo de financiamento ao aumentar a dívida tem um custo na cotação e torna o financiamento menos atrativo”.

Na opinião de Eduardo Silva, esta decisão do CaixaBank “não é uma surpresa”, desde logo porque, “considerando a percentagem de controlo e o nível de ações simbólico que restava em ‘free float’ [dispersão no mercado], a saída de bolsa era sempre uma opção”. “Poderiam ter optado por ceder controlo, mas esta estratégia parece lógica nesta fase”, sustenta.

Também para João Lampreia, do BIG, a retirada de bolsa do BPI “acaba por ser uma consequência natural”, tendo em conta a compra pelo CaixaBank da participação de 8% da Allianz (elevando para 92% a sua percentagem no BPI) e o prémio de 27,9% oferecido pelo restante capital face à cotação da Oferta Pública de Aquisição (OPA) realizada no ano passado. “O CaixaBank já tinha sugerido que a ideia era mesmo retirar o título de bolsa”, recorda João Lampreia, para quem esta é “mais uma última notícia de uma história mais comprida” e “o corolário de tudo o que tem acontecido na banca portuguesa”, nomeadamente em termos de fusões de aquisições, restando agora o BCP como único banco privado cotado.

Na opinião do analista do BIG, para os acionistas do BPI esta oferta do CaixaBank “acaba por ser um prémio implícito interessante, que de outra forma dificilmente poderiam obter com uma liquidez já muito reduzida do título”.

“Acaba por se iluminar um título que estava com muito pouca liquidez e com muito fraca visibilidade”, sustenta João Lampreia, considerando que “o quase fantasma do BPI” que estava atualmente cotado “já não acarretava nenhuma diversificação na bolsa portuguesa”.

Também contactado pela Lusa, o diretor de negociação do Banco Carregosa, João Queirós, encara a saída de bolsa do BPI como “o corolário lógico de um conjunto de passos que têm alguma lógica e devem obedecer a uma determinada estratégia” do CaixaBank, muito provavelmente no sentido da “constituição de uma unidade mais ibérica”.

“Provavelmente, o CaixaBank fará depois uma integração de sistemas e do ‘backoffice’ no âmbito da perspetiva de digitalização do setor bancário que se está a verificar nas economias mais ocidentalizadas”, sustentou, considerando “lógico” que o banco espanhol “queira agora ir buscar economias de escala e fazer a integração de alguns temas, até porque em termos de ‘marketing’ pode fazer algum sentido começar uma campanha em Espanha e prolongá-la na Península Ibérica”.

No que se refere ao impacto desta operação no mercado bolsista português, os três analistas são unânimes em afirmar que será muito reduzido. “A dimensão do mercado bolsista não é muito afetada, uma vez que a percentagem em ‘free float’ neste momento era simbólica”, sustenta a XTB Portugal, acrescentando que, “em termos futuros, esta decisão é sempre reversível e pode ser um período de consolidação”.

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