“Receitas do Sporting podem cair 50%”, diz especialista em marketing desportivo do IPAM

A "guerra" instalada no clube verde e branco constitui uma ameaça séria às suas receitas, garante Daniel Sá. O especialista sublinha que a crise pode afetar toda a Liga de futebol.

Está instalada “uma guerra” no Sporting que pode custar ao clube, já a curto prazo, 50% das suas receitas. Quem o diz é Daniel Sá, diretor executivo do IPAM (Instituto Português de Administração de Marketing) e especialista em marketing desportivo. Em declarações ao ECO, Daniel defende que as grandes fontes de rendimentos dos verdes e brancos estão ameaçadas: os adeptos “estão, na sua maioria, insatisfeitos”, os patrocinadores “impacientes” e com tendência para se afastarem e até a capacidade do clube de “reter e atrair os jogadores” está por um fio.

“Vamos ver como [a crise] é resolvida. As suas grandes fatias [de financiamento] podem ser muito desvalorizadas. As receitas podem cair 50% e isso é muito grave“, sublinha o especialista, referindo-se aos rendimentos operacionais (que representaram 80 dos 173 milhões de euros que o Sporting conseguiu em receitas, no exercício de 2016/2017) e à transferência de jogadores (que gerou 93 milhões de euros, no mesmo período).

Depois de, esta sexta-feira, a Grupovarius e a Inforphone terem anunciado o fim dos patrocínios concedidos ao clube em causa, Daniel de Sá explica que se deve esperar o afastamento de outras marcas que apoiam o Sporting, nas próximas semanas. “Como já temos quatro meses de crise, os patrocinadores começam a ficar impacientes. É provável que se sigam notícias semelhantes, na próxima semana”, nota.

Enquanto não houver uma nova luz sobre o caminho [do Sporting], o clube terá dificuldade em reter e adquirir patrocínios e jogadores.

Daniel Sá

Diretor do IPAM

Nesse sentido, recorde-se que no início da semana, o jornal O Jogo avançou que a Nos (a principal patrocinadora do clube liderado por Bruno de Carvalho) estaria a estudar a rescisão dos contratos milionários de publicidade mantidos com o Sporting. A gigante das telecomunicações acabou por desmentir essa notícia, mas deixou um aviso: situações “pouco dignificantes” como aquela vivida em Alcochete (50 adeptos agrediram jogadores e membros da equipa técnica, tendo mais de duas dezenas sido detidos) não se devem repetir.

“Enquanto não houver uma nova luz sobre o caminho [do Sporting], o clube terá dificuldade em reter e adquirir patrocínios e jogadores”, determina o especialista.

Bruno de Carvalho deve sair? Sim, mas saída pode não ser suficiente para estancar hemorragia, defende Daniel Sá.

Saída de Bruno de Carvalho seria solução?

Bruno de Carvalho garante que não se irá demitir. Isto apesar de o maior acionista do Sporting já o ter exigido e de vários membros dos órgãos sociais do Sporting terem abandonado os seus cargos para forçarem a sua saída. Essa decisão já custou ao clube um patrocinador, mas Daniel Sá salienta que uma simples mudança de liderança pode não ser suficiente para travar esta crise.

“A grande fatia de responsabilidade está no presidente, mas não é claro se uma mera mudança de cara resolverá tudo”, enfatiza o diretor do IPAM. O responsável considera que os efeitos desta “guerra” a curto prazo “são muitos fortes” e adianta que as consequências a médio longo prazo “dependem muito da saída encontrada”, sob pena do clube “perder a pedalada dos três grandes”.

Se a crise se alastra, isso pode ter impactos a muito longo prazo. O Sporting pode perder a pedalada dos três grandes e entrar numa segunda linha.

Daniel Sá

Diretor do IPAM

“Se a crise se alastra, isso pode ter impactos a muito longo prazo. O Sporting pode perder a pedalada dos três grandes e entrar numa segunda linha”, reforça o especialista.

Na opinião do marketeer, a gestão deste quadro de tensão (motivado pela operação Cash Ball e pelo episódio de violência de terça-feira) tem “sido péssima”. “Ninguém se tem portado bem”, defende Sá.

De acordo com o especialista, a crise atual pode mesmo afetar toda a Liga de futebol profissional, na sequência do alastramento desse “vírus da suspeição”. “O desporto vive da incerteza, de não sabermos quem ganha. Nós acreditamos que ganham os melhores. Se pomos em causa esse princípio, é trágico“, conclui.

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