BIS não vê futuro risonho para as criptomoedas. São um “desastre ambiental”

O BIS, entidade que supervisiona os bancos centrais, acredita que as criptomoedas não são viáveis como meio de pagamento nem como sistema monetário. Podem até "romper" com a internet.

As criptomoedas ganharam um opositor de peso. O Bank for International Settlements (BIS), instituição conhecida por ser o banco central dos bancos centrais, publicou um relatório demolidor para as moedas virtuais, acusando-as de serem um “desastre ambiental” e de terem problemas de escalabilidade.

São várias as críticas do BIS ao fenómeno das criptomoedas, ativos virtuais que ganharam grande popularidade no ano passado, como é o caso da bitcoin. No campo da estabilidade, o BIS aponta que as criptomoedas têm tantos mais problemas de desempenho quanto mais pessoas as usarem. Para a instituição suíça, uma moeda precisa de gerar confiança e o seu valor tem de ser relativamente estável, o que, muitas vezes, não se verifica em ativos voláteis como estes.

Outro ponto de relevo para o BIS é o elevado consumo energético que se regista por causa das moedas virtuais. “Simplificando, a busca pela confiança descentralizada rapidamente se tornou um desastre ambiental”, lê-se no documento do BIS. Em causa está o facto de estas moedas funcionarem com base na blockchain, que requer milhões de computadores ligados a processar transações.

Criptomoedas: dispendiosas, lentas e demasiado espaçosas

Alguns dos dados usados pelo BIS para justificar o ceticismo perante as criptomoedas: consumo energético, volume de transações processadas por segundo e uma estimativa de tamanho da blockchain se houvessem moedas virtuais à escala nacional na Europa, na China e nos EUA.Bank of International Settlements

Num capítulo de 27 páginas — fundamentado com dados e gráficos que mostram, por exemplo, a subida do consumo energético por parte da blockchain da bitcoin — o BIS garante ainda que existem motivos de preocupação para quem usa a internet.

“O problema vai muito além da capacidade de armazenamento, e estende-se à capacidade de processamento: apenas supercomputadores poderão acompanhar a verificação das transações que dão entrada. Os volumes de dados associados podem romper com a internet, na medida em que milhões de utilizadores trocam ficheiros na ordem de magnitude do terabyte, escreve o BIS.

O BIS defende, por fim, uma regulação das criptomoedas à escala global, que abranja não só as instituições financeiras já reguladas como as empresas privadas que prestem serviços ligados a este fenómeno.

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