Facebook quer ouvir o que está a dar na sua televisão

A rede social criou um sistema que ativa os microfones dos telemóveis para saber se está a ver um determinado programa na TV. Mas garante que "nunca" vai lançar este produto.

O Facebook patenteou um sistema que permite à empresa saber se os utilizadores estão a ver um programa específico na televisão, recorrendo aos microfones dos dispositivos móveis. Com esta tecnologia, um programa de TV é capaz de emitir uma assinatura em áudio, inaudível aos humanos mas detetada pelos aparelhos dos utilizadores do Facebook. Essa assinatura ativa os microfones e, assim, a empresa é capaz de saber quem está a ver um determinado programa ou publicidade — e por quanto tempo.

Muita gente acredita que o Facebook espia os utilizadores através do microfone dos telemóveis, embora essa ideia seja um mito já por várias vezes desmentido pela rede social e por jornais especializados em tecnologia. No entanto, com esta patente, a empresa de Mark Zuckerberg pode vir a oferecer um serviço de análise de audiências sem precedentes, assente nos mais de dois mil milhões de utilizadores da plataforma.

Segundo o The Guardian, a patente descreve como uma assinatura em áudio pode ser incorporada num programa de televisão ou em anúncios publicitários e ativar remotamente os microfones dos telemóveis e tablets dos utilizadores do Facebook. Essa assinatura é inaudível, isto é, impercetível aos humanos. Ao ativar os microfones, a empresa consegue, depois, fazer corresponder o som ambiente ao som do conteúdo que pretende analisar. E, desta forma, é capaz de perceber quantos utilizadores do Facebook estão expostos a determinado conteúdo televisivo.

De acordo com o jornal, este sistema também pode permitir ao Facebook perceber que tipo de conteúdos é que um utilizador mais consome na televisão para melhor segmentação das recomendações na rede social. Abre ainda uma porta para que a empresa tenha mais informação sobre os círculos sociais dos utilizadores.

Não é certo que o Facebook vá criar mesmo este serviço, uma vez que as tecnológicas estão constantemente a registar patentes como garantia para o futuro e salvaguarda da propriedade industrial. Mas o facto de a empresa estar a pensar num sistema deste género já está a gerar receios em alguns especialistas, que o veem como uma ameaça à privacidade dos cidadãos. “A tecnologia desta patente não foi incluída em nenhum dos nossos produtos, e nunca vai ser”, garantiu ao The Guardian Allen Lo, diretor de propriedade intelectual do Facebook.

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