Lucros do Santander Totta crescem 15% para 263,6 milhões de euros no primeiro semestre

O banco presidido por António Vieira Monteiro viu os lucros aumentarem 15%. No âmbito da integração do Popular, primeiro avança a fusão de agências e só depois mudanças na marca.

O Santander Totta obteve um resultado líquido de 263,6 milhões de euros no primeiro semestre do ano, o equivalente a um crescimento de 15,2% face ao mesmo semestre do ano passado (228,9 milhões de euros).

A margem financeira da instituição liderada por António Vieira Monteiro situou-se em 444,1 milhões de euros, subindo 31,3% em relação a junho do ano passado, “refletindo o crescimento orgânico e a integração do ex-banco Popular Portugal”, revelou o banco esta quarta-feira, em conferência de imprensa. Questionado sobre os principais motivos para estes resultados, o presidente executivo responde que “se deve, fundamentalmente, ao facto de haver cada vez mais transacionalidade dos clientes”. “Não temos ideias de fazer aumentos de comissões no futuro“, disse.

A contribuir para estes resultados estiveram também as comissões líquidas, que ascenderam a 184,4 milhões de euros, aumentando 10,8%, beneficiando essencialmente do impacto positivo das comissões de fundos e seguros comercializados pelo banco, e de meios de pagamento. O produto bancário subiu 19,8% para 658,3 milhões de euros, enquanto os recursos dos clientes totalizaram 39,5 milhões de euros, equivalentes a uma subida de 21,8%.

Na concessão de crédito, o volume de crédito bruto aumentou 25,3% para 33,02 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano. A subida mais expressiva foi na concessão de crédito a empresas, que cresceu 44,5% para 13,19 mil milhões. “Se olharmos para aquilo que tem sido o banco, aquilo que eram os últimos cinco anos, era um banco fundamentalmente para os particulares. Não éramos um banco de retalho, coisa que hoje, com esforço, se transformou num banco mais equilibrado. A política do banco na admissão de crédito tem sido conservadora e, mesmo assim, não deixamos de crescer. O crédito tem que ser dado com critérios e ser conservador nas suas análises. Se assim for, crescemos, com certeza, e os clientes ficam mais contentes“, disse António Vieira Monteiro.

Sobre a integração no banco Popular, o presidente-executivo comentou: “Essa integração tem efeitos positivos para todas as pessoas que vieram do Popular trabalhar connosco, porque todos foram equiparados aos funcionários do Santander, e com todas as vantagens”. E, questionado sobre uma data para as mudanças na marca, António Vieira Monteiro respondeu que primeiro serão feitas as fusões das agências — sublinhando que não serão fechados balcões, apenas haverá fusões de agências –, e só depois terão lugar as mudanças a esse nível.

Relativamente às recomendações feitas pelo Banco de Portugal (BdP) sobre a concessão de crédito, o responsável adiantou que “uma grande parte dessas recomendações já tinham sido aplicadas no banco na concessão de crédito”. “Sempre fomos muito conservadores. As recomendações são para ser cumpridas e iremos cumpri-las. Não me parece que essas recomendações resultem numa diminuição de crédito, mas sim num maior rigor“.

“É cedo demais para dizer que caminhamos para uma bolha imobiliária”

António Vieira Monteiro não deixou de comentar o atual estado do mercado imobiliário, afirmando que é errado pensar que o crescimento dos preços e até dos próprios investimentos na área da construção são “totalmente anormais”. “Temos assistido ao crescimento até por uma nova situação: quem são os novos atores neste novo mercado. Teremos que ter atenção a estas duas realidades”, disse. “Dizer que estamos numa situação de grande aquecimento no mercado e que caminhamos para uma bolha, acho que é cedo demais para falar nisso“.

Face às últimas transações realizadas pelos bancos na baixa de Lisboa, o presidente-executivo adiantou desde logo que o banco Santander Totta não tem o edifício que serve de sede na baixa à venda, nem qualquer intenção de o vender. “Trata-se da sede histórica do banco e entendemos que não vamos vendê-lo. Vai ter utilizações no futuro, talvez um edifício museu, mas não vamos vendê-lo”.

(Notícia atualizada às 13h00 com mais informação)

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