Rublo afunda e spread da dívida dispara. Novas sanções à Rússia assustam mercados

Os EUA vão aplicar sanções à Rússia no final de agosto na sequência ao ataque a um ex-agente russo. A bolsa russa cai mais de 3%, o rublo derrapara para mínimos de 2016 e o spread da dívida sobe.

Trump ameaça voltar as costas a Putin com novas sanções à Rússia e os mercados não estão a gostar. A bolsa de Moscovo segue em forte queda, ao mesmo tempo que o rublo derrapa para mínimos de 2016 e o spread da dívida russa face à norte-americana dispara para máximos de junho.

Este é o retrato do mercado russo nesta quinta-feira, um dia depois de os EUA terem anunciado que vão punir o Governo liderado por Vladimir Putin pelo ataque ao ex-agente russo Sergei Skripal e à sua filha com gás de nervos que ocorreu a 4 de março no Reino Unido através de novas sanções já no final de agosto.

Rublo perde terreno face ao dólar

Fonte: Reuters

Depois de decorrido um período de 15 dias para notificação, as sanções vão ter efeito por volta de 22 de agosto, de acordo com um comunicado do Departamento de Estado citado pela AP, nesta quarta-feira.

A notícia agradou ao Reino Unido, mas não aos mercados. O principal índice de referência da bolsa russa desliza mais de 3%, enquanto o rublo desvaloriza para atingir o valor mais baixo desde novembro de 2016 contra o dólar. Pela primeira vez desde essa ocasião, o dólar vale mais do que 66 rublos. Já o euro supera os 77 rublos, de acordo com a Reuters.

Os efeitos também se fazem sentir no mercado da dívida, com o valor do spread médio dos juros das obrigações russas face às treasuries norte-americanas a subirem para a fasquia mais elevada desde junho. De acordo com o índice JPMorgan EMBI Global Diversified, subia 15 pontos base face ao fecho de quarta-feira, para 222 pontos base, o mais elevado desde 28 de junho.

“É evidente que as grandes sanções estão a jogar contra a Rússia, sejam elas da Administração, do congresso ou de ambos”, afirmou Tim Ash, estratega de mercados emergentes da Bluebay Asset Management, à Bloomberg acrescentando que neste momento “todas as apostas estão encerradas”.

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