Teixeira Duarte volta aos lucros com venda do Lagoas Park

A construtora encerrou o semestre com um resultado líquido de 17 milhões de euros. Mais-valia com a venda do Lagoas Park tirou a Teixeira Duarte do vermelho.

A Teixeira Duarte voltou aos lucros. Depois de ter registado prejuízos de 9 milhões nos primeiros seis meses do ano passado, conseguiu resultados líquidos positivos na primeira metade deste ano, beneficiando da mais-valia obtida com a venda da totalidade do capital do Lagoas Park.

“Os resultados líquidos atribuíveis a detentores de capital foram positivos em 17,37 milhões de euros, que se comparam com os 9,09 milhões negativos registados em junho de 2017”, diz a Teixeira Duarte em comunicado enviado à CMVM.O EBITDA registou um aumento de 3,8% face a junho de 2017 e fixou-se em 91,17 milhões de euros”, acrescenta.

“Nos primeiros seis meses de 2018, este indicador [o EBITDA] foi influenciado” por alguns aspetos, nomeadamente a “alienação da participada detida a 100% ‘Lagoas Park’, com ganhos de 24,89 milhões de euros”. O centro de escritórios de Oeiras foi vendido por um total de 375 milhões de euros, enquanto a posição na Lusoponte gerou um encaixe de 23,3 milhões (mais-valia de 18 milhões) que ainda não está repercutido nestas contas.

Mas, salienta a construtora, houve mais aspetos a determinar a evolução das contas neste primeiro semestre, comparativamente ao primeiro do ano passado. Aponta as “diferenças de câmbio operacionais, que em 2018 tiveram um impacto positivo no montante de 17,22 milhões“, a “valorização do justo valor das propriedades de investimento em 2018 no montante de 12,68 milhões” e os “custos operacionais não recorrentes de 14 milhões de euros, nomeadamente decorrentes de imparidades de ativos a receber”.

Mais lucros, mas menos receitas

Enquanto os lucros subiram, influenciados por fatores como a venda do Lagoas Park, o volume de negócios atingiu 428,4 milhões de euros, “o que reflete uma diminuição 9,8% face a junho de 2017, ou seja, uma quebra de 46.685 milhares de euros“, salienta a Teixeira Duarte.

A empresa salienta que “em Portugal, registou-se um aumento de 32.874 milhares de euros face a junho de 2017, o que se considera positivo tendo em conta, nomeadamente, que no final desse semestre do ano passado as sociedades Recolte e Recolte (Porto) – alienadas em julho de 2017 – ainda integravam o perímetro de consolidação do grupo e haviam contribuído com 6,15 milhões de euros para o volume de negócios desse período”.

“Os outros mercados desceram globalmente 20,2%, em parte resultante da menor relevância em euros da atividade em alguns mercados externos, em especial em Angola”, acrescenta. “Neste contexto, os mercados externos, que representaram 82,8% deste indicador em junho do ano passado, passaram a representar 73,3% do total do Volume de Negócios do Grupo Teixeira Duarte”, conclui.

Dívida encolhe com vendas de ativos

Tendo em conta a venda do Lagoas Park, mas também os acordos assinados para a venda de 90% da TDHOSP – Gestão de Edifício Hospitalar, S.A e de 7,5% na Lusoponte, a Teixeira Duarte enaltece, no relatório e contas do primeiro semestre, o cumprimento das metas de venda de ativos para a redução do endividamento. Tem contratos de 450 milhões, ligeiramente aquém dos 500 previstos.

“Esta é mais uma importante etapa na concretização da estratégia do Grupo Teixeira Duarte de redução do endividamento
bancário e aposta nos setores e mercados de atuação relevantes”, diz a empresa que fechou o semestre com uma dívida líquida de 770,95 milhões de euros (uma quebra de 9,7% face ao período homólogo). Assim, os resultados financeiros foram negativos em 37,6 milhões, aquém dos 43,26 milhões um ano antes.

(Notícia atualizada às 17h52 com mais informação)

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