Portugal paga mais pela dívida a dez anos. Arrecada mil milhões

Dois meses depois da última ida ao mercado de dívida de longo prazo, Portugal captou mil milhões de euros em obrigações a cinco e dez. Taxa baixou a cinco, subiu a dez anos.

Portugal conseguiu os mil milhões de euros que pretendia no duplo leilão de dívida de longo prazo, o primeiro depois das férias de verão. Pagou menos a cinco, mas mais no prazo a dez anos, numa operação de financiamento realizada em vésperas de mais uma revisão do rating do país, desta vez por parte da Standard & Poor’s.

De acordo com os dados da Reuters, o IGCP, liderado por Cristina Casalinho, colocou a “fatia” mais pequena dos mil milhões em obrigações do Tesouro a cinco anos, prazo em que os investidores exigiram uma taxa de 0,647%. Este juro compara com o de 0,746% na última emissão comparável, realizada em junho.

No prazo a dez anos, a agência que gere a dívida pública arrecadou 672 milhões de euros. Nesta maturidade, a de referência, a taxa subiu para 1,854%, num leilão em que a procura superou a oferta em 2,02 vezes.

A última vez que Portugal realizou uma emissão de longo prazo foi a 11 de julho, quando colocou 950 milhões de euros em títulos com maturidade a dez e 16 anos, tendo pago uma taxa de 1,727% na maturidade de referência. Desde então, só tinha havido mais um leilão, a 15 de agosto, mas de curto prazo.

Portugal regressou, assim, com sucesso aos leilões de dívida, depois da “interrupção” no financiamento junto dos mercados é habitual nesta época do ano. O período do verão tende a afastar investidores do mercado, havendo assim uma redução na procura que leva ao adiamento de novas emissões.

Esta operação realizou-se antes de Portugal voltar a ser avaliado pela S&P. A agência de notação financeira norte-americana vai rever o rating do país esta sexta-feira, depois do fecho dos mercados, sendo grande a expectativa sobre uma eventual alteração da classificação atribuída. O Governo acredita numa revisão em alta da notação que está em” BBB-“.

A S&P foi a primeira grande agência de rating a tirar a dívida portuguesa de “lixo”, movimento depois seguido pela Fitch. Atualmente, e tendo em conta que a DBRS sempre manteve uma classificação de qualidade à divida nacional, permitindo ao país ser elegível para o programa de compras do Banco Central Europeu que está, agora, a chegar ao fim.

Em agosto, o BCE comprou 562 milhões de euros de dívida portuguesa, estando já num processo de redução do ritmo de compras de títulos soberanos. O fim do programa, diz Cristina Casalinho, até deverá ser positivo para Portugal, acreditando que não haverá “um impacto muito significativo”.

“A possível subida de taxas de juro de longo prazo pela menor presença de um investidor muito significativo pode aliás funcionar como fator de atratividade para novos investidores”, afirmou recentemente a responsável pela agência que tem a seu cargo a gestão do 248,2 mil milhões de euros de dívida pública.

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