Capital Certo dá buraco de 115 milhões à Associação Mutualista. Meta de captação de poupança em risco

Produto Capital Certo, cuja comercialização esteve suspensa por seis meses, perdeu 115 milhões até julho e compromete meta de financiamento da mutualista de 970 milhões com captação de poupanças.

O produto mutualista Capital Certo, o mais vendido pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), está a registar um “buraco” de 115 milhões de euros este ano, num mau desempenho que vai comprometer os objetivos da instituição liderada por Tomás Correia em relação à captação de 970 milhões de euros em poupanças mutualistas em 2018.

Esta modalidade de capitalização, que passou a designar-se Poupança Mutualista após a suspensão da sua comercialização durante seis meses nos balcões da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), registou novas entregas de 145,2 milhões de euros entre janeiro e julho deste ano, mas o volume de novas aplicações foi insuficiente para fazer face aos 260 milhões de euros em resgates antecipados e vencimentos durante este período, segundo os dados a que o ECO teve acesso.

Questionada pelo ECO, fonte oficial da AMMG confirma este desempenho negativo e explica que tal se deveu à suspensão da distribuição do Capital Certo em fevereiro. Não vai, contudo, afetar o balanço da instituição, garantiu a mesma fonte. Este produto mutualista voltou a ser comercializado pelo banco apenas em agosto, mas já com uma “roupagem” diferente: uma nova designação e maior rigor na informação prestada ao cliente, conforme o ECO avançou em primeira mão.

Em entrevista ao Jornal Económico, Tomás Correia apontou o dedo à anterior administração da CEMG, liderada por José Félix Morgado, e sublinhou que a suspensão da distribuição do Capital Certo aos balcões do banco vai comprometer os objetivos de financiamento da AMMG em 970 milhões de euros captados através de produtos de capitalização, de acordo com os objetivos inscritos no Programa de Ação e Orçamento para 2018: 370 milhões de renovações e 600 milhões de captação adicional.

“Essa suspensão, que nenhum regulador impôs, foi obra do anterior conselho de administração executivo. Obviamente que sete meses sem distribuir produtos mutualistas na CEMG comprometem esse objetivo. Foi lamentável“, disse Tomás Correia na entrevista. “Os produtos que se venceram e não foram reaplicados são responsabilidades que nós cobrimos”, adiantou ainda.

Fonte oficial da anterior administração da CEMG de Félix Morgado explicou ao ECO porque razão decidiu suspender a distribuição dos produtos mutualistas nos balcões do banco: “A distribuição foi suspensa porque a AMMG não quis incluir na informação a disponibilizar aos clientes dados relevantes e obrigatórios como sejam os resultados negativos, situação patrimonial, mercado alvo (excluía alguns dos anteriores subscritores devido, por exemplo à idade) e nível de risco do produto (avaliado pela PwC e que é alto)”.

O Capital Certo não é o único produto mutualista a pressionar a AMMG. Outras modalidades como a Poupança Complementar e Proteção 5 em 5 também estão a registar mais saídas de capital do que entradas. Feitas as contas, as várias modalidades disponibilizadas pela mutualista apresentam um saldo líquido negativo 131 milhões de euros entre janeiro e julho — um desempenho, ainda assim, melhor do que registava há um ano, quando perdia 441 milhões.

Tomás Correia assegurou na mesma entrevista que “a suspensão de produtos mutualistas não colocou qualquer pressão de liquidez” à AMMG, que chegou julho com um grau de cobertura das responsabilidades de 1,261, segundo os dados acedidos pelo ECO.

Menos 6.000 associados

Por outro lado, a AMMG continua a perder associados em 2018, já depois de ter dito adeus a mais de 7.000 sócios no ano passado.

A instituição, que tem eleições agendadas para 7 de dezembro, contava com cerca de 619,5 mil associados, tendo perdido quase 6.000 associados face ao final de 2017. A instituição justifica esta quebra com a alienação de uma carteira de créditos pela CEMG e que implicou a perda de associados ligados a estes créditos, segundo disse fonte oficial

A AMMG registou a entrada de 19.421 novos associados nos primeiros sete meses do ano. Mas também aqui o fluxo de saídas foi mais intenso do que de entradas: saíram mais de 25 mil sócios. O saldo líquido foi então negativo em 5.879 sócios.

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