Tomás Correia acredita que Montepio e Crédito Agrícola ainda podem formar “um grande banco”

  • Lusa
  • 14 Setembro 2018

Tomás Correia tem "certeza absoluta" de que um dia a junção do Montepio e do Crédito Agrícola irá acontecer. Vão formar um "grande banco de retalho".

O presidente da Associação Mutualista Montepio defendeu, esta sexta-feira, que as instituições da economia social que operam na banca, Montepio e Crédito Agrícola, devem reorganizar-se num grande banco de retalho, acreditando que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde.

“O conjunto das instituições da economia social que operam no setor financeiro têm todas as condições para vir a ser um grande banco de retalho em Portugal”, afirmou Tomás Correia à Agência Lusa, à margem do almoço-debate organizado pelo International Club of Portugal, em Lisboa.

Questionado sobre o facto de o presidente do Crédito Agrícola já ter dito que não estava interessado na junção das instituições, o presidente da associação dona da Caixa Económica Montepio Geral desvalorizou e mostrou-se convencido de que um dia vai acontecer.

“O mundo, a vida, não é uma coisa se desenhe em linha reta, a vida é feita através de um percurso que mais se assemelha ao de um eletrocardiograma. Vamos ter serenidade, a força das nossas convicções, porque com isso continuamos com a certeza absoluta de que este é um caminho que há de concretizar-se, quando não sei, se será comigo não sei, mas sei que isso vai acontecer”, afirmou.

Para Tomás Correia, perante “todo o interesse do país em ter um grupo financeiro da economia social forte”, “as instituições da economia social e as pessoas têm de estar disponíveis para discutir isso”.

Antes, na intervenção no final do almoço-debate do International Club of Portugal, Tomás Correia tinha dito que “as instituições da economia social devem ter capacidade de se reorganizar para desenvolver um grande banco de retalho em Portugal”, até para fazer face a um setor bancário muito dominado por capital estrangeiro. A exceção são a Caixa Geral de Depósitos, o Montepio e o Crédito Agrícola.

No setor segurador, acrescentou, a situação ainda é pior, tendo em conta a venda das seguradoras pelos grupos bancários.

“Estou convencido de que se não atalharmos esta situação – e será muito difícil – vamos ter um problema e muito cedo”, afirmou, considerando que a dominação do setor financeiro por grupos estrangeiros prejudica o financiamento às empresas e até a retenção de trabalhadores mais jovens em Portugal, uma vez que essas empresas acabam por os aliciar com trabalhos mais atrativos, mas nos países de origem.

Uma eventual junção entre Montepio e Crédito Agrícola não é um tema novo. Em março deste ano, o presidente do Crédito Agrícola admitiu que o grupo foi sondado para se juntar ao Montepio numa ‘holding’ bancária, mas que nunca esteve interessado e recusou.

“A ideia que me era apresentada era a de constituir uma holding em que as contas dos dois grupos consolidariam nessa holding e reportaria ao regulador em consolidado, era essa a ideia e que não teve acolhimento nenhum da nossa parte”, afirmou Licínio Pina.

Ainda segundo o responsável, nessas conversas foi-lhe dito que essa era também a “vontade das altas instâncias do país”.“Se era verdade não faço ideia”, disse.

De responsáveis do Governo, afirmou que não houve conversas sobre o tema: “O Governo diretamente não”. Quanto ao Banco de Portugal, falou numa “abordagem muito ténue”.

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