Governo italiano sobe défice para 2,4%. Juros disparam, bolsa afunda com queda dos bancos

  • Lusa e ECO
  • 28 Setembro 2018

O ministro das Finanças italiano cedeu: nos próximos três anos, a meta de défice desse país será de 2,4% e não de 1,6%. A decisão não está a agradar aos investidores.

A coligação no poder em Itália concordou em encerrar os exercícios de 2019, 2020 e 2021 com um défice orçamental de 2,4% do PIB, o que significa uma subida deste valor, noticiaram as agências italianas na quinta-feira.

Esta decisão, que ainda tem de ser votada no parlamento, deixa adivinhar novas tensões com a Comissão Europeia e nos mercados financeiros, dada a dimensão da dívida italiana, equivalente a 133,4% do produto interno bruto (PIB) no final do primeiro trimestre de 2018.

De facto, nos mercados, os efeitos desta proposta já se fazem sentir. Esta manhã, os juros da dívida a dez anos voltaram a superar os 3%, enquanto o índice de referência italiano está a afundar 1,89% para 21.105,28 pontos. O índice que agrega os maiores bancos italianos regista, por sua vez, uma queda de 4,26% para 9.566,27 pontos, tendo já recuado mais de 5%, nesta sessão, tocando em mínimos de duas semanas.

Recorde-se que este acordo “com todo o Governo” para uma meta de défice de 2,4% contraria os planos originalmente divulgados pelo ministro da Economia e das Finanças italiano. Giovanni Tria insistia em manter o teto de 1,6%, o que acabou por gerar tensões no seio da coligação e despertar rumores sobre a sua possível demissão. Tria acabou, no entanto, por aceitar a mudança, na reunião da tarde de quinta-feira.

“Hoje [quinta-feira] é um dia histórico. Hoje a Itália mudou”, escreveu o líder do 5 Estrelas e vice-primeiro-ministro, Luigi Di Maio, na sua conta na rede social Facebook. “Pela primeira vez, o Estado está do lado dos cidadãos. Pela primeira vez, não tira, mas dá. Os últimos são finalmente os primeiros, porque sacrificámos os privilégios e os interesses dos potentados. Estou feliz. Juntos demonstramos que se pode mudar o país e que há dinheiro” para isso, acrescentou.

Para o político antissistema, cujo partido foi o mais votado nas eleições de março, “as contas do povo voltaram para casa e pela primeira vez na história deste país elimina-se a pobreza, graças ao rendimento mínimo, para o qual existem dez mil milhões (de euros), e relança-se o mercado de trabalho”.

Antes da reunião, Di Maio deixou claras as suas linhas vermelhas: “Não recuaremos nem um milímetro sobre o rendimento mínimo universal (…). Será um orçamento valente para as pessoas”.

Na mesma linha, Salvini apoiou superar os 2% porque “o direito ao trabalho, à felicidade, de milhões de cidadãos merece alguns números”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo italiano sobe défice para 2,4%. Juros disparam, bolsa afunda com queda dos bancos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião