Caixa vende 850 milhões de euros em malparado das empresas

A CGD continua a desfazer-se do fardo do malparado. Está prestes a fechar a venda de uma carteira de empréstimos em incumprimento de empresas no valor de 850 milhões. Mas valor ainda pode mudar.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a finalizar a venda de uma carteira de créditos em incumprimento do segmento empresarial no valor de 850 milhões de euros, num esforço para limpar os ativos problemáticos do balanço para, assim, melhorar a rentabilidade do banco. Mas também para voltar a beneficiar de um rating de qualidade.

“O Conselho de Administração da CGD está a ultimar a negociação de um contrato de venda de créditos do segmento corporate, cujo valor nominal em dívida em março de 2018 (data de cut-off da transação) ascendia a 854 milhões de euros“, indica o banco no relatório e contas do primeiro semestre do ano, durante o qual registou lucros de 194 milhões de euros. “Esta carteira [de 854 milhões de euros] incorpora operações no valor de 214 milhões de euros, as quais em junho de 2018 já se encontravam abatidas ao ativo”, acrescenta a instituição.

O banco liderado por Paulo Macedo adianta que os aspetos contratuais do negócio se encontram ainda “em discussão” com o comprador, “incluindo a possibilidade de ajustamento do perímetro da operação” — o banco não revela quem é o comprador, mas a Bain Capital, que no ano passado comprou 476 milhões de euros em malparado à CGD, é apontado como um dos interessados.

Uma vez que há possibilidade de ajustes na carteira em venda, “não é possível a esta data determinar os impactos contabilísticos da transação, os quais, no entanto, se estimam positivos”, refere o banco no seu relatório e contas referente aos primeiros seis meses deste ano.

"O Conselho de Administração da CGD informa que está a ultimar a negociação de um contrato de venda de créditos do segmento corporate, cujo valor nominal em dívida em março de 2018 (data de cut-off da transação) ascendia a 854 milhões de euros.”

Caixa Geral de Depósitos

Relatório e contas do primeiro semestre de 2018

Esta era uma transação já prevista pela CGD em maio passado, tal como José Brito, administrador financeiro, revelou na conferência de resultados do primeiro trimestre. Na altura, o responsável recusou divulgar qual o valor que estava a ser negociado, deixando apenas uma pista para aquilo que seria a dimensão da carteira: “Terá, sem dúvida, impacto nos próximos trimestres“.

Puxar pelos resultados. E o rating

Esta transação, a ser concluída em breve, será mais uma por parte da CGD, que tem estado muito ativa na venda de carteiras de crédito em incumprimento, especialmente de empresas. “No primeiro semestre de 2018 e exercício de 2017, foram ainda alienados outros créditos a clientes da carteira de corporate, cujos valores de balanço antes de imparidade à data de referência das transações ascendiam a aproximadamente 26,26 milhões e 505,27 milhões de euros, respetivamente”, nota a CGD.

Há um esforço adicional por parte do banco público para tentar superar as metas impostas pela Comissão Europeia, no âmbito do programa de capitalização da CGD. Na última apresentação de resultados, Paulo Macedo salientou isso mesmo, apontando como meta chegar a 2020 com um rácio de NPL (non performing loans) sobre os ativos inferior a 7% — em junho de 2018, o rácio situava-se nos 10,5%.

É uma estratégia seguida com o objetivo de melhorar a rentabilidade da instituição, que se prepara para fechar 2018 com “lucros significativos”, de acordo com as palavras de Macedo, ao ECO. Mas que procura também permitir à CGD voltar a ter um rating de qualidade, o maior desafio do banco no próximo ano, de acordo com as declarações do próprio CEO.

La crème? A Nata do Novo Banco

Os bancos nacionais, globalmente, têm vindo a acelerar as vendas de carteiras de empréstimos com reduzida probabilidade de serem pagos pelos devedores — outras estratégias para reduzir o malparado do balanço passam por reestruturações e recuperação dos créditos ou write-offs (isto é, retirar os empréstimos da folha, reconhecendo a perda). Uma estratégia que se tornou mais visível nos últimos anos, mas que agora é cada vez mais central no sentido de tornar o sistema financeiro mais resiliente.

Além da CGD, também o Novo Banco tem estado mais ativo nestas operações, sendo que a instituição liderada por António Ramalho foi a última a colocar no mercado uma carteira de ativos em incumprimento. Não são créditos “crème de la crème”, já que estamos a falar de malparado, mas o banco chamou-lhe Operação Nata.

Trata-se de um portefólio de crédito em incumprimento no valor de 1,75 mil milhões de euros, o maior de sempre em comercialização em Portugal até à data, através de uma operação a concretizar-se em duas tranches: a primeira totaliza um montante de 550 milhões de euros com empréstimos de 54 grandes empresas, enquanto a segunda tranche de 1,2 mil milhões se refere a malparado de mais de 62 mil empresas, de acordo com a Debtwire.

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