Uma estreia de luxo, um mês quase sem brilho da Farfetch em Wall Street

Faz um mês que a Farfetch entrou para a bolsa de Nova Iorque. Depois de uma estreia de arromba, com os títulos a dispararem 40%, a empresa fundada por José Neves volta aos 20 dólares.

A Farfetch está de parabéns. Faz um mês que a plataforma digital de luxo entrou em bolsa, numa estreia que se pode considerar colossal. Disparou mais de 40% no primeiro dia de negociação em Wall Street. E entre alguns altos e baixos que se seguiram, o saldo deste primeiro mês no mercado acionista acaba por ser apenas marginalmente positivo. As ações estão quase outra vez ao preço da oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa).

Foi a 21 de setembro que Farfetch se estreou na bolsa de Nova Iorque. Nesse dia, as suas ações entraram com um valor unitário de 20 dólares e “saíram” a valer 28,45 dólares. Numa única sessão, o respetivo valor de mercado engordou perto de 2.500 milhões de dólares até aos 8.332 milhões — nas rondas de financiamento antes da entrada em bolsa a avaliação não ia além dos 1.500 milhões.

Um mês de Farfetch em bolsa

Foi um dia feliz para José Neves que, à Reuters, explicou a base do negócio criado há uma década em Guimarães. A indústria da roupa de luxo “escolhe os seus caminhos e canais com muito cuidado”, embora cada vez mais seja possível ver as vantagens de apelar, por exemplo, aos clientes millennials, “que pensam com o digital em primeiro lugar. Estes clientes estão online e não no mundo offline”, disse na ocasião o português.

Entretanto, o entusiasmo continuou a alimentar o preço das ações que atingiram no terceiro dia de negociação o máximo histórico de 32,3999 dólares. Graças a esse otimismo dos investidores, por pouco a Farfetch não bateu a fasquia dos dez mil milhões de dólares de capitalização bolsista.

A partir daí o entusiasmo em torno do título esmoreceu um pouco, com a empresa a ser penalizada pelo contexto negativo vivido nos mercados internacionais, que a levou a baixar do preço do IPO. Ainda assim, o balanço global deste primeiro mês é positivo. Atualmente, as ações da empresa de José Neves têm um valor unitário de 21 dólares. Ou seja, estão apenas 5% acima do preço de entrada. Essa cotação avalia a Farfetch em 6.150 milhões de dólares.

Apesar do comportamento recente ser negativo — deslizou quase 10% na última sessão em Wall Street — tudo aponta para um rumo positivo no futuro. Que o digam os bancos de investimento que iniciaram a cobertura dos títulos da plataforma de venda de artigos de luxo. Vários desses bancos atribuem avaliações às ações da Farfetch acima da atual cotação em bolsa. O Wells Fargo, o UBS, o Credit Suisse, Cowen, JPMorgan e o Deutsche Bank recomendam “comprar” os títulos da empresa criada há dez anos por José Neves.

Ike Boruchow, analista do Wells Fargo, referiu numa nota de research que o negócio da Farfetch parece bem posicionado, já que o mercado online transforma o espaço do luxo, referindo que rivais como a Amazon ou o Ebay não estão talhados para servir o consumidor moderno de alto nível.

A empresa “oferece uma oportunidade para embarcar numa história de crescimento do mercado eletrónico que está num estágio inicial, com uma pista incrivelmente longa à frente”, disse o mesmo analista, que iniciou a cobertura do título com um preço-alvo de 30 dólares.

Apenas o Goldman Sachs não segue as recomendações de “comprar” dos pares. Atribui uma recomendação de “neutral”, a um preço-alvo de 24 dólares. Ou seja, acima da cotação atual, mas tendo implícito um potencial de valorização bem menos expressivo do que aquele que é conferido por outros bancos.

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