DBRS considera improvável que o Governo italiano cumpra o mandato até ao fim

A DBRS não exclui a possibilidade de as tensões internas na coligação governamental, e entre os partidos, poderem pôr em causa a duração do Governo.

A DBRS não acredita que o Governo italiano termine a legislatura. “É improvável que o Governo cumpra o seu mandato legislativo na totalidade”, pode ler-se numa nota da agência de rating divulgada esta sexta-feira. A turbulência política pode ainda resultar numa reversão das políticas levadas a cabo até agora, que ajudaram a sustentar o crescimento económico, criar emprego e riqueza para pagar a elevada dívida pública do país, que ascende a quase 130% do Produto Interno Bruto (PIB).

A agência de notação financeira considera que as tensões internas na coligação governamental, e entre os partidos políticos, podem comprometer a duração do Governo.

“Como era esperado, o novo Governo italiano revelou um plano orçamental que implica uma postura orçamental menos rígida e uma redução menos significativa do rácio da dívida pública face ao PIB, em comparação com as projeções anteriores do Governo”, lê-se no comunicado. A DBRS garante que não está “excessivamente preocupada” com a deterioração esperada do défice orçamental (o Executivo aponta para um défice de 2,4% em 2019), desde que as políticas italianas não se invertam. Ainda assim, a agência reconhece que as previsões de crescimento do Executivo “parecem otimistas”. Na proposta de Orçamento do Estado para 2019, o Governo espera que a economia acelere de 1,2% para 1,5%.

Os riscos para a estabilidade financeira estão, agora, de acordo com a DBRS, com sede em Toronto (Canadá), “mais contidos”. Por um lado, o sistema bancário fez progressos na redução do stock do crédito malparado (non performing loans, NPL) e no fortalecimento dos rácios de capital e, por outro, o emprego total está acima dos níveis registados antes da crise. A posição externa tem, também, melhorado ao longo dos últimos anos, sublinha a agência.

Ainda assim, a DBRS salienta que a atividade económica está a desacelerar, na sequência de um ambiente externo menos favorável, da menor confiança das empresas e de taxas de juro mais elevadas — que podem dificultar o acesso aos mercados e o financiamento da dívida. Perante este cenário, a agência de notação financeira não está à espera de uma melhoria do desempenho de crescimento do país e refere que, a curto prazo, a economia pode ser afetada.

“A questão principal, daqui para a frente, é se o Governo irá conseguir formular e cumprir uma agenda pró-emprego que sustente, em vez de reverter, o desempenho de crescimento de Itália”.

No mês passado, a agência de rating Moody’s reviu em baixa a avaliação da dívida de Itália, para Baa3. Já a Standard & Poor’s (S&P) decidiu manter o rating de Itália em BBB, mas baixou a perspetiva para negativa.

(Notícia atualizada com mais informação às 10h32)

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