Poupar para a reforma? Portugueses confiam demasiado no Estado

Se a nível mundial 19% das famílias consideram o Estado como a melhor fonte de garantia de um pé-de-meia para a reforma, em Portugal a taxa é muito mais elevada: 32%.

Na hora de poupar para a reforma, os portugueses optam por ter um papel passivo. Preferem depositar no Estado a responsabilidade por lhes garantir uma reforma confortável. Os dados constam de um estudo da Schroders e ilustram o conservadorismo dos portugueses no que respeita ao planeamento da sua reforma, tendo este sido um dos temas debatidos numa conferência organizada pelo Novo Banco nesta quinta-feira. Ao Estado compete também criar incentivos fiscais.

De acordo como estudo da gestora de ativos, se a nível mundial o Estado surge em segundo lugar no ranking das expectativas sobre o financiamento da reforma, com 19% dos inquiridos a apontarem nesse sentido, em Portugal o peso é muito mais elevado. Os portugueses veem o Estado como o principal garante da sua vida após a idade ativa, com 32% dos inquiridos a apontarem nesse sentido.

"Em Portugal esperamos muito mais da contribuição do Estado do que os investidores globais.”

Mário Pires

Schroders

“Em Portugal esperamos muito mais da contribuição do Estado do que os investidores globais”, referiu Mário Pires, diretor de clientes institucionais para Ibéria da Schroders, logo no início da sua apresentação durante a conferência “Hora da Reforma”. “Continuamos a depender muito do Estado e do 1º Pilar“, acrescentou.

Portugal versus Mundo nas fontes de rendimento para a reforma

No mesmo sentido vai a posição defendida por Cristina Duarte, especialista em reforma da Mercer, que alerta para a necessidade de mudar essa realidade. “É preciso ter consciência de que é importante começar a olhar para fatores externos à Segurança Social e que comecemos a poupar de forma a garantir uma boa reforma”.

É neste âmbito que se inserem aqueles que são designados como o 2.º e 3.º Pilar, o primeiro centrado nas empresas e nos planos de pensões que podem oferecer aos seus trabalhadores, e o segundo no dos próprios trabalhadores e no seu investimento em planos complementares de poupança para a reforma.

Conferência “Hora da Reforma” contou com Cristina Duarte da Mercer, Mário Pires da Schroders e Pedro Arbués da GNB Gestão de Ativos.

E segundo a especialista da Mercer as empresas deviam ter um papel determinante no que respeita a esse incentivo. “Acho que os planos de capitalização não deveriam ser obrigatórios para os trabalhadores, mas no que respeita às empresas deveria ser quase uma obrigatoriedade”, defendeu.

Mas os trabalhadores não são isentos de ter um papel ativo. “A mensagem é: quanto mais cedo, melhor“, diz Cristina Duarte relativamente ao plano que os portugueses devem seguir para assegurar uma reforma tranquila.

E neste campo, para além dos tradicionais PPR e fundos de pensões, há muitas alternativas de investimento que podem ser utilizadas com esse objetivo. “Temos produtos que são claramente orientados para a reforma, mas há produtos que podem ser utilizados para tal”, salientou Pedro Arbués, responsável de produto e de marketing da GNB Gestão de Ativos. PPR, fundos de pensões, fundos de investimento, ações, etc.

Arbués faz questão de frisar que “um investimento para a reforma deve ser feito ao longo do tempo“, explicando que “minimiza as volatilidades que podem te impacto no retorno”, mas sempre tendo em conta também o “alinhar o perfil de risco à carteira e ao horizonte de vida” e a diversificação.

Mas se o objetivo poderá passar por tirar do Estado o peso da responsabilidade de garantir a reforma dos portugueses, e passá-lo também para as empresas e para os trabalhadores, este também tem um papel a desempenhar. Nomeadamente no que respeita à criação de incentivos fiscais às empresas e aos portugueses que apostem na poupança para a reforma.

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