Carlos Costa alerta que Portugal não pode continuar com crescimento “anémico”

  • Guilherme Monteiro
  • 19 Novembro 2018

Governador do Banco de Portugal diz que problema da economia portuguesa não é o número de horas trabalhadas, mas a diferença de produtividade face às economias europeias.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, avisa que Portugal não pode continuar com um crescimento potencial “anémico” sob risco de os défices elevados e a emigração persistirem.

Os alertas foram deixadas esta segunda-feira de manhã, na 9º conferência do Banco de Portugal sobre o desenvolvimento económico português no espaço europeu. Para o responsável, a economia nacional está separada das europeias pelas diferenças de produtividade. E considera que só com um crescimento “robusto” se pode levar a economia portuguesa a convergir com as demais.

Numa altura em que o crescimento económico está em alta, mas “apresenta sinais de abrandamento”, Carlos Costa apelou ainda a uma reflexão sobre as necessidades da economia. No terceiro trimestre, a economia cresceu 0,3% em cadeia, e 2,1% em termos homólogos o que representa um abrandamento face ao desempenho do segundo trimestre (0,6% e 2,4%). Para o conjunto do ano, o Governo prevê que Portugal cresça 2,3%, uma estimativa até agora corroborada pelo próprio Banco de Portugal e pelo Fundo Monetário Internacional. No entanto, a Comissão Europeia está mais pessimista, aponta para um crescimento de 2,2% e o conjunto de economistas ouvidos pelo ECO, também antecipam que a meta não será cumprida já que isso exigiria um crescimento de 1% no quarto trimestre, face aos três meses anteriores. Um desempenho particularmente difícil tendo em conta o contexto de abrandamento europeu.

Portugal abrandou no terceiro trimestre. Economia cresceu 2,1% em termos homólogos

Fonte: INE. Valores em %, variação homóloga

Para que possa existir um aumento da produtividade dos trabalhadores, o governador considera que é fundamental reforçar as competências, a cultura de mérito e o empreendedorismo, mas também aprender a superar as iniciativas fracassadas e a adequação do sistema financeiro às necessidades de financiamento das empresas.

Para Carlos Costa é ainda importante melhorar a atratividade do ambiente de negócios e a simplicidade do sistema fiscal.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Carlos Costa alerta que Portugal não pode continuar com crescimento “anémico”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião