Apple e petróleo colocam Wall Street a perder este ano

Bolsas americanas continuaram sob intensa pressão vendedora esta terça-feira. O índice S&P 500 acumula a partir de agora perdas desde o início do ano. A culpa: da Apple e do petróleo.

À pressão em torno das ações da Apple, que entraram em bear market, juntou-se o sell off no mercado petrolífero, com o barril de “ouro negro” a tombar mais de 6%, castigando todo o setor energético em Wall Street na sessão desta terça-feira.

Tudo apontava para uma semana um pouco mais tranquila do que aquela que se vive atualmente nos principais índices bolsistas americanos, sobretudo por causa do Dia de Ação de Graças que se celebra esta quinta-feira e que vai fechar os mercados na quinta-feira e encurtar a sessão na sexta. Mas não.

Primeiro foi a Apple. A tecnológica está no olho do furacão com as perspetivas menos otimistas para aquilo que vão ser as suas vendas de iPhone neste período natalício. Por causa disso, as ações caíram hoje 4,78% para 176,98 dólares, mantendo a tendência de queda nas últimas sessões. A revisão em baixa das projeções e a diminuição das encomendas dos novos iPhone levaram a cotada a entrar em bear market esta segunda-feira. A quebra foi acentuada esta terça-feira pelo corte no preço-alvo dos títulos pela Goldman Sachs, pela segunda vez este mês. O banco de investimento baixou o preço-alvo das ações da Apple para 182 dólares, o que representa um potencial de valorização de quase 3% face ao preço de fecho.

A Apple não foi a única tecnológica a ser penalizada e, entre as FAANG, todas as empresas já atingiram o ponto de correção, com uma perda superior a 20% desde os últimos máximos. Esta terça-feira, enquanto Facebook e Alphabet (empresa-mãe da Google) valorizam em torno de 0,6%, a Amazon e a Netflix recuaram 1,25% e 1,45%, respetivamente.

Depois foi o petróleo. Tanto o barril de Brent como o barril de crude perderam hoje quase 7%, com os receios de que há excesso de oferta no mercado e nem os cortes que a OPEP está a planear tão cedo deverão corrigir este cenário. O impacto da desvalorização dos preços do “ouro negro” fez-se sentir no índice de energia do S&P, que caiu cerca de 3%.

Foi neste cenário que as três principais praças encerraram no vermelho. Para o S&P 500, o índice de referência mundial, a queda de 1,95% para 2.638,03 pontos significa que já apresenta um saldo negativo desde o início do ano. Enquanto isso, o industrial Dow Jones e o tecnológico Nasdaq cederam 2,2% e 1,85%.

“Apesar de termos tido uma boa temporada de resultados, os investidores estão a olhar para o próximo ano e estão preocupados com o abrandamento da economia”, disse Mark Kepner, da Themis Trading, citado pela Reuters. “Estamos numa situação em que se vende primeiro e se pergunta depois”, acrescentou.

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