Petróleo caminha para pior mês em quatro anos. Petrolíferas afundam

Oferta de petróleo, especialmente dos EUA e Arábia Saudita, está a crescer mais depressa que a procura. Expetativa é que OPEP volte a cortar produção em dezembro.

O preço do petróleo está tocar mínimos de um ano. Regista uma queda acentuada que poderá levar novembro a registar a maior queda mensal desde o final de 2014, com descidas de mais de 20%. O tombo está a ser causado por preocupações de uma enchente de oferta e está a penalizar as ações das petrolíferas europeias. A portuguesa Galp não escapou.

A produção e oferta de petróleo mundial, especialmente por parte de produtores norte-americanos e sauditas, está a crescer mais depressa que a procura e os mercados mostram preocupação que a desaceleração do crescimento económico na China enfraqueça ainda mais a procura.

A projeção da Agência Internacional de Energia é que a produção dos países fora Organização dos Países Exportadores de Petróleo aumente 2,3 milhões de barris por dia, em 2019 face a este ano. Em contrapartida, a procura deverá crescer 1,3 milhões de barris por dia.

O crude está a cair como uma pedra“, afirmou Pedro Amorim, senior broker da corretora XTB. “As pressões de Donald Trump referentes à baixa de preços por barril tem-se refletido no mercado, com a OPEP a cumprir com o desejo do presidente norte-americano. Segundo a mais recente opinião dos analistas, estão a apontar o target do crude nos 50 dólares”.

No início da semana, o presidente dos EUA Donald Trump usou o Twitter para mostrar agrado com a queda nos preços da matéria-prima, agradecendo à Arábia Saudita após a produção por parte do país ter atingido valores recorde. O ministro da Energia saudita já garantiu o país não irá lançar para o mercado “petróleo que os consumidores não precisem” e outros membros do cartel também sinalizaram que deverá ser acordado um novo corte na oferta na reunião de dia 6 de dezembro.

No entanto, os esforços não estão a ser bem-sucedidos em travar as quedas do petróleo. Às 15h00, o Brent negociado em Londres cai 5,53% para 59,14 dólares por barril, enquanto o crude WTI de Nova Iorque desvaloriza 6,77% para 50,87 dólares por barril. O saldo na semana é negativo em 12% e 9,5%, respetivamente.

Em ambos os casos, estão em mínimos de outubro de 2017. No acumulado do mês de novembro, acumulam um tombo superior a 20% e níveis de volatilidade que não se viam desde o período entre 2014 e 2016 quando o mercado enfrentou um problema de excesso de procura.

O tombo no valor da matéria-prima está a arrastar as ações das petrolíferas para terreno negativo. O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 Oil & Gas perde 2,68%, enquanto o norte-americano S&P Oil & Gas recua 0,55%. Entre as cotadas do setor, a Repsol tomba 2,42%, a Total cai 2,68%, a BP perde 2,55% e, em Portugal, a Galp desvaloriza 0,55% para 14,505 euros por ação.

“A cotação do barril de crude de Nova Iorque já caiu cerca de 35% desde o pico de 3 de outubro, quando atingiu os 76,90 dólares. Tecnicamente inverteu a trajetória de subida que tinha iniciado em 2016, o que em termos de disciplina de análise técnica projeta para a correção até próximo dos 42 dólares, níveis de junho do ano passado. Isto faz com que a tendência de médio a longo prazo tenha passado a ser negativa, não obstante a possibilidade de uma recuperação de curto prazo até um patamar entre os 55 e os 60 dólares por barril”, acrescentou o BCP, numa nota citada pela Reuters.

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