Regulador da Concorrência já foi notificado da compra da Cimpor Portugal pelo fundo turco OYAK

  • Lusa
  • 4 Dezembro 2018

O maior fundo de pensões turco, OYAK, já notificou a Autoridade da Concorrência (AdC) da intenção de adquirir a totalidade do capital da Cimpor Portugal.

O fundo turco OYAK (Ordu Yardımlaşma Kurumu), que anunciou em outubro a intenção de adquirir a totalidade do capital da Cimpor Portugal, notificou a Autoridade da Concorrência (AdC) para que se pronuncie sobre a operação. Num aviso publicado esta terça-feira, a AdC refere que “a operação de concentração em causa consiste na aquisição pelo OYAK do controlo exclusivo da Cimpor Portugal, através da aquisição de 100% do capital social e direitos de voto desta última sociedade”.

Segundo o documento, o OYAK é o maior fundo de pensões da Turquia turcas e dispõe de atividades em 19 países, em setores variados. Em Portugal, a sua atividade centra-se no setor siderúrgico, automóvel, alumínios e polímeros. A concretizar-se a compra da Cimpor, o fundo OYAK passará a deter a maior empresa de cimentos portuguesa e ativos também em Cabo Verde. De acordo com o aviso, quaisquer observações de terceiros interessados sobre a operação de concentração em causa deverão ser remetidas à AdC no prazo de dez dias úteis.

No final de outubro, a Cimpor assinou um contrato com o OYAK para a venda de todos os ativos que compõem a Unidade de Negócio de Portugal e Cabo Verde da cimenteira. Com este negócio, o grupo alienará as três fábricas e as duas moagens de cimento, as 20 pedreiras e as 46 centrais de betão localizadas em Portugal e em Cabo Verde, referiu, sem adiantar o valor da operação.

Segundo o comunicado enviado em outubro “as atuais estruturas diretivas das áreas produtivas e dos serviços centrais da Cimpor em Portugal e Cabo Verde manter-se-ão em funções”. Em causa estão cerca de 800 trabalhadores nos dois mercados que a InterCement, holding para os negócios do cimento do grupo brasileiro Camargo Corrêa, decidiu alienar. A empresa continua instalada em Portugal, e com negócios em África (Moçambique, Egito e África do Sul) e América Latina (Paraguai, Argentina e Brasil).

Em 2017, a Cimpor registou um prejuízo 490,3 milhões de euros, o que representou uma redução face às perdas de 787,6 milhões de euros verificadas no ano anterior. De acordo com o relatório de gestão de 2017, divulgado na página da companhia na internet, “o resultado líquido apresentou uma recuperação de 44% em relação ao valor de 2016, somando um prejuízo de 439 milhões de euros e um prejuízo líquido atribuível a acionistas de 490 milhões de euros”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Regulador da Concorrência já foi notificado da compra da Cimpor Portugal pelo fundo turco OYAK

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião