Bain e Waterfall na corrida pelo malparado do Novo Banco em Espanha

As duas entidades entregam na semana passada as propostas para comprarem a carteira de 400 milhões de euros de crédito problemático que o banco liderado por António Ramalho está a vender em Espanha.

A Bain Capital e a Waterfall Asset Management estão na reta final para comprar a carteira de crédito malparado no valor de 400 milhões de euros que o Novo Banco está a vender em Espanha, tendo já apresentado as suas propostas ao banco liderado por António Ramalho, apurou o ECO junto de fonte do mercado.

Com o projeto “Nata” praticamente fechado, num concurso para a compra dos 1.750 milhões de euros em NPL (Non Performing Loans) que teve como vencedor o fundo de private equity americano KKR, tal como o ECO avançou, o Novo Banco ultima agora a alienação de outro portefólio de empréstimos problemáticos em Espanha, designado “Albatros”. António Ramalho já recebeu as propostas da Bain e da Waterfall e a conclusão deste processo pode acontecer ainda este ano.

No caso da Bain, não é a primeira incursão deste fundo americano no mercado de malparado português. É apontado como o comprador de uma carteira de 476 milhões de euros em NPL (Non Performing Loans) que a Caixa Geral de Depósitos alienou no ano passado. Já a Waterfall adquiriu recentemente malparado na Grécia.

O ECO contactou o Novo Banco, que não quis confirmar esta informação.

Em relação ao projeto “Nata”, o contrato deverá ser assinado até final desta semana. Os americanos do fundo KKR venceram a corrida ao Deutsche Bank e ao fundo Cerberus no fim-de-semana, e vão ser acompanhados pelos servicers Hipoges e LX Partners, que vão fazer a gestão da carteira. Uma fonte próxima do processo revelou ao ECO que a KKR ainda não tinha fechado completamente a estrutura de financiamento para a operação quando foi conhecido o vencedor.

Tanto a operação “Nata” como a operação “Albatros” incluem-se na política de desinvestimento que António Ramalho está a implementar no sentido de limpar o balanço do banco detido em 75% pelo fundo Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução. Recentemente, o banco também vendeu uma carteira de 9.000 imóveis aos americanos do Anchorage Capital Group por 716 milhões de euros, isto depois das alienações de várias operações, como o negócio dos seguros vida ou o Véniété em França.

No que toca ao crédito malparado, o Novo Banco comprometeu-se junto do Banco de Portugal a reduzir a sua exposição a este tipo de ativos problemáticos nos próximos anos que tem provocado prejuízos volumosos. Até setembro, o Novo Banco registou os prejuízos de 420 milhões de euros, perante o impacto negativo de quase 160 milhões de euros com a alienação da carteira de imóveis. Isto depois dos prejuízos de 1.400 milhões no ano passado, que levaram o Fundo de Resolução a injetar dinheiro na instituição ao abrigo do Mecanismo de Capital Contingente que foi criado aquando da venda do Novo Banco ao Lone Star.

De acordo com as últimas contas apresentadas pela instituição, o banco detinha cerca de 8,5 mil milhões de euros em NPL no final de setembro deste ano, menos 784 milhões de euros face ao final do ano passado. Este montante correspondia a um rácio de crédito não produtivo de 27,7%, com a instituição a apresentar um rácio de cobertura de 63,5%.

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