Novo Banco vende carteira de malparado de 1.750 milhões ao fundo KKR

Está vendida a maior carteira de malparado de sempre em Portugal. O fundo KKR ganhou a corrida pelos 1.750 milhões em crédito problemático do Novo Banco. NPL do banco caem para 6,8 mil milhões.

Está vendida a maior carteira de crédito malparado alguma vez colocada à venda em Portugal. Foi o fundo KKR quem ganhou a corrida pelos 1.750 milhões de euros em NPL (Non Performing Loans) que o Novo Banco pôs à venda em setembro, apurou o ECO junto de fonte do mercado. Tudo aponta para que o contrato seja assinado no final desta semana. E assim António Ramalho vai baixar o nível de malparado do banco para menos de 7.000 milhões de euros ainda este ano.

Em causa está o projeto “Nata”, que consiste numa carteira de empréstimos no valor de 1.750 milhões de euros e cuja cobrança pelo banco é considerada improvável. Eram três os candidatos que estavam na corrida para comprar este portefólio: o fundo de private equity KKk, um consórcio formado pelo Deutsche Bank, a Arrow Global e a Carval, e a Cerberus Capital Management. A decisão foi tomada este fim-de-semana.

Com o KKR estão ainda os servicers Hipoges, de António Nogueira Leite, e LXPartners. Não é o primeiro investimento da KKR em Portugal, tendo em conta que este fundo comprou recentemente as operadores de telecomunicações Nowo e Oni à Apax e tem um investimento na Outsystems.

Contactado, o Novo Banco não esteve disponível para comentar a informação.

Este processo foi desencadeado em setembro, mas só agora conhece um desfecho final. A operação deverá concretizar-se em duas tranches, conforme havia explicado a publicação Debtwire em setembro: a primeira totaliza um montante de 550 milhões de euros com empréstimos de 54 grandes empresas, enquanto a segunda tranche de 1,2 mil milhões se refere a malparado de mais de 62 mil empresas.

O Novo Banco, detido em 75% pelo Lone Star e em 25% pelo Fundo de Resolução, apresenta elevados níveis de crédito malparado e comprometeu-se junto do Banco de Portugal a reduzir a sua exposição a este tipo de ativos problemáticos nos próximos anos que tem provocado prejuízos volumosos. De acordo com as últimas contas apresentadas pela instituição, o Novo Banco detinha cerca de 8,5 mil milhões de euros em NPL no final de setembro deste ano, menos 784 milhões de euros face ao final do ano passado. Este montante correspondia a um rácio de crédito não produtivo de 27,7%.

Com a venda da “Nata”, o nível de malparado do Novo Banco baixará assim para cerca de 6.700 milhões de euros este ano. Mas poderá cair ainda mais tendo em conta que se prepara para alienar em breve outra carteira de malparado, desta vez em Espanha. Está em curso a venda do projeto Albatros, que inclui empréstimos problemáticos no valor de 400 milhões de euros, e a transação pode também ficar fechada ainda este ano.

Nas contas até setembro, o Novo Banco explicava: “O rácio de NPLs (non-performing loans) situou-se nos 27,7% (-3,8 pontos percentuais face a setembro de 2017) devido à continuada redução do crédito não produtivo, com o rácio de cobertura a atingir os 63,5% (+11,6 p.p. face ao período homólogo). O rácio de NPLs líquido de imparidades desceu de 18,1% em setembro de 2017 para 12,3%, uma redução de cerca de 5,8 p.p.”.

Recentemente, o banco também vendeu uma carteira de 9.000 imóveis aos americanos do Anchorage Capital Group por 716 milhões de euros, com a gestão deste portefólio a ficar a cargo das sociedades de servicing Finsolutia e da Hipoges.

A venda deste conjunto de imóveis explicou em grande medida os prejuízos de 420 milhões de euros que o Novo Banco registou no exercício entre janeiro e setembro deste ano. Teve um impacto negativo de quase 160 milhões de euros nas perdas que o banco registou naquele período.

Isto depois dos prejuízos de 1.395 milhões de euros registados em 2017, um valor que obrigou o Fundo de Resolução à injeção de cerca de 800 milhões no capital do banco, com o Estado a emprestar cerca de 400 milhões ao Fundo de Resolução.

Para proceder à limpeza do seu balanço, o Novo Banco conta com uma espécie de almofada de capital do Estado, que se comprometeu a amparar os maus resultados da instituição aquando da alienação de 75% do capital ao fundo americano Lone Star.

Uma vez que a venda de NPL e de imóveis geram imparidades, acabando por debilitar financeiramente a instituição, sempre que os rácios de capital do Novo Banco baixarem da fasquia de 12,5%, é ativado o Mecanismo de Capital Contingente, através do qual o Estado garante, sempre que necessário, empréstimos para o Fundo de Resolução se financiar. Mas isto se a erosão dos rácios for provocada pelas imparidades resultantes da alienação de uma carteira de ativos que a Lone Star negociou previamente com o Governo.

No relatório e contas semestral, a instituição fez um cálculo e estimou em 726 milhões de euros as necessidades do mecanismo de capital contingente para 2019.

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