Certificados do Tesouro perdem dinheiro pela primeira vez em cinco anos

Com os primeiros Certificados do Tesouro Poupança Mais a atingirem a maturidade, o saldo dos certificados do Tesouro encolheu. Foi a primeira vez desde setembro de 2013 que o saldo ficou negativo.

Saiu dinheiro dos produtos de poupança do Estado. Apesar de o saldo nos certificados de aforro ter sido positivo em novembro, no caso dos certificados do Tesouro assistiu-se à saída de fundos pela primeira vez em cinco anos. A culpa é dos Certificados do Tesouro Poupança Mais que começaram a chegar ao fim da maturidade. Esta saída de capitais vai acelerar nos próximos meses.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, após dois anos de resgates, o saldo dos certificados de aforro aumentou. Registou um crescimento de sete milhões de euros (para 11.860 milhões), sendo este reflexo, essencialmente, do efeito de capitalização que distingue este produto de poupança. Ou seja, os resgates terão abrandado de forma expressiva, passando o saldo para positivo fruto da capitalização.

Este saldo positivo apenas atenuou a saída de dinheiro dos produtos do Estado — o saldo foi negativo em 67 milhões. Isto porque no caso dos certificados do Tesouro registou-se um saldo de -70 milhões de euros, que contrasta com meses consecutivos de entradas líquidas de mais de 100 milhões de euros nestes títulos.

A saída de dinheiro dos certificados do Tesouro é explicada pelo fim do prazo dos primeiros Certificados do Tesouro Poupança Mais, lançados em 2013, que vieram substituir os originais, os Certificados do Tesouro que chegaram a apresentar juros de mais de 7%. Os CTPM foram entretanto substituídos pelos Certificados do Tesouro Poupança Crescimento que apresentam uma taxa bruta média anual de 1,39% durante sete anos.

O saldo negativo já era antecipado pelo Governo, devendo acentuar-se nos próximos meses. No Orçamento do Estado para 2019, o Executivo prevê que os certificados de aforro e os Certificados do Tesouro registem um saldo final negativo em 1.000 milhões de euros, penalizado sobretudo pelas amortizações de 2.900 milhões de euros que terá de proceder no próximo ano relativamente aos primeiros CTPM que vão atingir maturidade.

“Os CTPM que vencem em 2019 beneficiavam de remunerações muito atrativas, pelo que seja por inércia, seja pela busca de outro tipo de aplicações com maior remuneração, uma parte significativa deste montante poderá não ser reinvestida em certificados, o que poderá implicar subscrições líquidas negativas destes instrumentos em 2019”, justifica o Executivo, antevendo maior interesse nas OTRV.

É exatamente esse montante de 1.000 milhões de euros que o Executivo prevê captar através das obrigações do retalho que tem captado maior interesse junto dos investidores em face da remuneração mais atrativa do que os certificados.

(Notícia atualizada às 11h54 com mais informação)

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