PSI-20 cai 14% em 2018. Com apenas três cotadas em terreno positivo, é o pior ano desde 2014

Na última sessão do ano, a bolsa de Lisboa fechou em alta, mas não chegou para evitar um ano no vermelho. A Mota-Engil foi a empresa que mais perdeu, com uma desvalorização de 56%.

A última sessão do ano na bolsa de Lisboa foi de ganhos, mas não chegou para evitar que 2018 tenha fechado em terreno negativo. O PSI-20 desvalorizou 14% no acumulado do ano, tendo registado o pior ano desde 2014 (em que caiu 26,83%). Apenas três das 18 cotadas conseguiram um ano de ganhos.

As principais praças europeias negociaram esta segunda-feira em alta (numa sessão mais curta) e o índice de referência nacional não foi exceção. O PSI-20 fechou com um ganho de 1,81% para 4.731,47 pontos, com 16 das 18 cotadas no verde. A liderar as subidas na bolsa lisboeta esteve a Mota-Engil, que avançou 3,6% para 1,61 euros por ação.

O BCP somou 1,37% para 0,23 euros, a EDP disparou 2,28% para 3,05 euros, a EDP Renováveis valorizou 2,32% para 7,73 euros e a Galp avançou 0,66% para 13,76 euros. Em contraciclo, a F. Ramada perdeu 1,32% e a Sonae Capital deslizou 0,70%.

O ganho do PSI-20 na sessão foi o maior em oito meses, mas a tendência no último dia do ano contrariou o acumulado do ano tanto em Lisboa como nas restantes praças europeias.

O índice Euro Stoxx 600, que subiu 0,5% esta segunda-feira, tombou 13,2% no ano (a maior queda desde 2008). O alemão DAX avançou 1,71% (mas tombou 17% no ano), o francês CAC 40 ganhou 1,11% (perdeu 11% em 2018), o espanhol IBEX 35 subiu 0,54% (caiu 16% em 2018) e o italiano FTSE MIB ganhou 1,44% (mas perdeu 16% em 2018). Já o britânico FTSE 100 deslizou 0,09% esta segunda-feira e 12,5% no ano.

Mota-Engil perde mais de metade do valor. Três subiram

Após um início de ano de valorizações, a bolsa de Lisboa inverteu a tendência em meados de 2018, a acompanhar o sentimento europeu. A 27 de dezembro, o PSI-20 entrou em bear market (com uma desvalorização superior a 20% desde o último pico, registado a 22 de maio), pondo fim a um bull market que durava desde junho de 2016.

Assim, a Mota-Engil foi a empresa que mais perdeu este ano, com um tombo de 56% na capitalização de mercado, para 382 milhões de euros. Entre os pesos-pesados, o BCP caiu 15,8% e a Galp recuou 10%. Em sentido contrário a EDP (+5,7%), a EDP Renováveis (+11,6%) e a Altri (+12,2%) fecharam o ano no verde.

Três estreias. Alguns falhanços

O ano na Euronext Lisbon — que será o último sob a liderança de Paulo Rodrigues da Silva, que será substituído por Isabel Ucha –, ficou marcado por três admissões: a da fintech Raize, da gestora de participações Farminveste (que não realizou oferta pública, mas fez apenas uma entrada técnica) e da primeira sociedade de investimento para o fomento da economia (SIMFE), Flexdeal (que fez uma colocação privada de ações).

Estavam previstas mais entradas em bolsa, mas não aconteceram. A oferta pública de venda do negócio do retalho da Sonae foi cancelada em outubro, enquanto a da Science4you foi adiada até fevereiro de 2019. Entretanto, caíram ainda dois aumentos de capital: da Vista Alegre e da Pharol.

(Notícia atualizada às 13h35)

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