Pagar com dinheiro, cheques ou cartões. O que sai mais caro?
Instrumento de pagamentos custaram 1.909 milhões de euros (quase 1% do PIB) à sociedade portuguesa, em 2017. O débito direto é a forma mais eficiente, mas o 'cash' compensa com baixos valores.
A população portuguesa realizou 5,6 mil milhões de operações de pagamento em 2017, mantendo-se o numerário como o meio preferido. Os dados são do Banco de Portugal (BdP), que estimou os custos sociais dos instrumentos de pagamento de retalho, das perspetivas privadas do sistema bancário, dos comerciantes e dos consumidores.
Os pagamentos em cash representaram 60% do total, seguindo-se os cartões de pagamento (29%). Os débitos diretos e as transferências a crédito registaram igual percentagem de uso, somando 10% no conjunto. O cheque é o instrumento de pagamento menos utilizado, representando apenas 1% do número total de pagamentos efetuados em 2017 e apresentando uma taxa de redução média de 10% ao ano desde 2015.
“Em 2017, a disponibilização dos instrumentos de pagamento de retalho em 2017 implicou custos sociais estimados em 1.909 milhões de euros (0,99% do produto interno bruto – PIB) e um custo per capita de 185,5 euros”, revela o estudo do BdP, que divide o fardo pelos comerciantes e banca principalmente, mas também pelos consumidores.
Os custos sociais são medidos através dos vários gastos que cada um dos agentes (consumidores, comerciantes e banca) que vão desde o tempo despendido em cada transação, às próprias taxas, passando por carrinhas de valores ou rendas. Nesta análise, o banco central concluiu que o dinheiro em numerário é o instrumento com mais peso (57,3%).
Custos sociais por interveniente e instrumento de pagamento em 2017

Fonte: Banco de Portugal
Pagar menos de 1,58 euros em dinheiro ainda vale a pena
“Cada pagamento com débito direto custou à sociedade 27 cêntimos, o que o torna o instrumento mais eficiente para efetuar pagamentos numa ótica de custo social”, concluiu o estudo do regulador. O numerário, os cartões de débito e as transferências apresentaram custos sociais unitários semelhantes. O pagamento com numerário custou à sociedade 34 cêntimos, um pagamento com cartão de débito 38 cêntimos e uma transferência a crédito 39 cêntimos.
Em sentido contrário, os instrumentos menos eficientes para a sociedade foram o cheque e o cartão de crédito (sendo que o cálculo não considera eventuais juros cobrados pelo pagamento em parcelas), que custaram 3,54 euros e 1,88 euros por pagamento efetuado, respetivamente.
“Estes instrumentos de pagamento, sendo menos utilizados, não beneficiam do efeito de economias de escala tipicamente associado à prestação de serviços de pagamento, pelo que apresentam custos unitários significativamente mais elevados. No caso do cheque, acresce ainda que grande parte dos custos têm uma natureza fixa, pelo que a redução significativa da utilização deste instrumento não gera uma diminuição dos custos na mesma proporção”, explica.
Mas há exceções consoante os montantes em questão. “O numerário revelou-se o instrumento mais eficiente para efetuar pagamentos abaixo de 1,58 euros nos pontos de venda. O cartão de débito é mais vantajoso para a sociedade em transações acima desse valor. O cheque é mais eficiente do que o numerário para pagamentos de valor superior a 56 euros. Para transações abaixo de 159 euros, custa menos de um euro à sociedade efetuar pagamentos com cartão de débito”, acrescenta o BdP.
Consumidores suportam menor peso dos custos
Mais de 90% dos custos associados aos instrumentos de pagamento foram suportados pelos comerciantes e pelo sistema bancário (48,7% e 41,6%, respetivamente). Ainda assim, os consumidores assumiram os restantes 9,7%, equivalentes a 789 milhões de euros. “Os custos dos consumidores representaram 0,41% do PIB do país nesse ano. Destes, 0,25% decorrem da utilização de cartões de débito, pré-pagos e de crédito”, refere o estudo.
Cada habitante suportou, em média, 77 euros com a utilização dos vários meios de pagamento, em 2017. Se os cartões pré-pagos (como é o caso de cartões utilizados pelas empresas para pagar subsídios de refeição) custaram 1,1 euros, o valor associado a cartões de débito chegou a cerca de 28 euros nos cartões de débito. “Esta distribuição resulta, por um lado, dos custos efetivos dos instrumentos de pagamento e, por outro lado, do número de operações realizadas pelos consumidores com cada instrumento”, clarifica.
Em termos agregados, os custos assumidos pelos consumidores com cartões de débito, de crédito e pré-pagos ascendeu a 478 milhões de euros, enquanto para o numerário totalizaram 212 milhões de euros. Os instrumentos de pagamento que geraram menores custos para os consumidores foram as transferências a crédito (45 milhões de euros), os cheques (39 milhões de euros) e os débitos diretos (14 milhões de euros).
“Globalmente, os custos com as comissões bancárias ascenderam a 604 milhões de euros e corresponderam a 77% dos custos totais. As comissões incluem os encargos suportados por transação, os custos com o acesso ao instrumento de pagamento (por exemplo, a anuidade dos cartões de pagamento) e os custos transversais a mais do que um instrumento (como os pacotes de gestão e manutenção de conta)”, acrescenta o BdP.
Distribuição dos custos sociais pelos diferentes meios de pagamento

Fonte: Banco de Portugal
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