Preços das casas não param de subir. Em Lisboa e no Porto sobem 40% em apenas dois anos

Lisboa e Porto continuam a ser as duas cidades do país onde é mais caro comprar casa. E os preços não dão sinais de abrandamento. Em dois anos, dispararam 38% no Porto e 43% em Lisboa.

Se em Portugal é difícil encontrar cidades onde os preços das casas estejam a diminuir, em Lisboa e no Porto nem freguesias se encontram. As duas maiores cidades do país são também aquelas onde é mais caro comprar casa — e cada vez mais, segundo os dados divulgados, esta quinta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No terceiro trimestre do ano passado, o preço mediano do metro quadrado das casas vendidas na capital foi de 2.877 euros, o equivalente a quase o triplo do preço mediano nacional, e só na freguesia do Parque das Nações se assistiu a uma ligeira quebra. No Porto, o valor das casas está nos 1.525 euros por metro quadrado, também muito acima do valor nacional, e não há qualquer freguesia onde os preços tenham caído no terceiro trimestre. Em ambos os casos, os preços estão cerca de 40% mais elevados do que estavam dois anos antes.

Lisboa continua a ser a cidade mais cara do país para comprar casa — e a diferença de preços é cada vez maior. No segundo trimestre de 2018, comprar casa na capital custava 2,8 vezes mais do que a mediana nacional. No terceiro trimestre, a diferença já era de 2,9 vezes. As disparidades agravam-se quando se olha para os municípios mais baratos: uma casa em Lisboa custa 22 vezes mais do que em Pampilhosa da Serra, a cidade mais barata do país.

Mesmo dentro do município de Lisboa, a amplitude de preços é grande. Se em Santa Clara (na zona Norte da cidade) o metro quadrado custa 1.927 euros, em Santo António (onde fica a zona do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade), já custa 4.532 euros. Seja como for, em quase todos os casos — à exceção do Parque das Nações, a única freguesia onde se registou uma redução dos preços das casas, de 1,9% — os preços estão a aumentar a ritmo acelerado.

Feitas as contas, o preço mediano de 2.877 euros por metro quadrado registados no terceiro trimestre de 2018 no município de Lisboa representa mais 43,5% do que os 2.005 euros por metro quadrado que se registavam no terceiro trimestre de 2016. Em termos anuais, o aumento foi de 24%.

Fonte: INE | Variação de preços entre o terceiro trimestre de 2017 e o de 2018.

O mesmo acontece no Porto. É a segunda cidade mais cara do país para comprar casa e o ritmo de crescimento dos preços também não dá sinais de abrandamento. Neste caso, não há mesmo qualquer freguesia onde o valor do metro quadrado tenha caído no terceiro trimestre do ano passado, havendo também grandes diferenças entre as várias zonas. Em Campanhã, o preço do metro quadrado é de 986 euros; na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, é de 2.250 euros.

Já considerando todo o município do Porto, o preço do metro quadrado atingiu os 1.525 euros no terceiro trimestre do ano passado, o que representa um aumento de 38,8% em relação aos preços do terceiro trimestre de 2016. No espaço de um ano, os valores subiram 21,6%.

Fonte: INE | Variação de preços entre o terceiro trimestre de 2017 e o de 2018.

Preços disparam em todo o país. Só caem no distrito de Portalegre

A subida dos preços das casas foi generalizada por todo o país e é comum a quase todas as capitais de distrito. Portalegre foi a única onde se assistiu a uma redução dos preços no terceiro trimestre do ano passado, de cerca de 8%, para uma mediana de 637 euros por metro quadrado (quando, um ano antes, as casas vendidas em Portalegre custavam 654 euros).

De resto, as casas estão não só mais caras como, nas capitais de distrito, a subida dos preços é, regra geral, mais expressiva do que a média nacional. Lisboa (com uma subida homóloga de 24%, para 2.877 euros por metro quadrado), Porto (mais 21,6%, para os 1.525 euros por metro quadrado) e Faro (mais 22,5%, para 1.352 euros por metro quadrado) são as cidades onde se registam os maiores aumentos, bem como os preços mais elevados.

Castelo Branco, onde se verificou uma subida dos preços de 8,8%, passou a ser a capital de distrito onde é mais barato comprar casa, depois de ser ultrapassado por Bragança, onde os preços aumentaram mais de 13%.

Fonte: INE | Variação de preços entre o terceiro trimestre de 2017 e o de 2018.

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